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Lava Jato tenta reaver R$ 54,9 bi, mas devoluções somam somente R$ 2,5 bi

A força-tarefa de Curitiba atualizou na última sexta-feira (12) a soma dos pedidos de ressarcimento feitos em processos judiciais da Lava Jato. Incluindo-se as ações penais (R$ 39,97 bilhões) e as ações por improbidade administrativa (R$ 14,93 bilhões), reivindica-se a devolução de R$ 54,9 bilhões em verbas roubadas do Estado. Eloquente, a cifra corresponde a tudo o que o BNDES pretende investir em projetos de infra-estrutura até o final de 2019. Entretanto, a verba efetivamente devolvida aos cofres públicos em quatro anos e meio de Lava Jato soma, por ora, pouco mais de R$ 2,5 bilhões —ou 4,5% do total requisitado.

15.dez.2015 – Fachada da casa do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde a Polícia Federal faz operação de busca e apreensão.

O deputado federal é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro pela Procuradoria-geral da República nas investigações da Operação Lava Jato

Desde 2014, quando foi às ruas, a Lava Jato corroeu a Presidência de Dilma Rousseff, passou na chave o projeto presidencial de Lula e está perto de acertar as contas com Michel Temer. A operação também trancafiou a nata da oligarquia política e empresarial. Gente que estava escondida atrás da imunidade parlamentar foi surrada nas urnas de domingo passado, despencando na primeira instância Judiciário. Não se via tamanha movimentação nos salões do poder e nas cadeias desde a chegada das caravelas.

Quebraram-se paradigmas também na recuperação da verba roubada. Antes da Lava Jato, os pedidos de reparação rodavam na casa dos milhões. Depois, passaram a ser computados em bilhões. Mas o resultado, quando confrontado com o tamanho da pilhagem, não chega a entusiasmar. Graças aos acordos de delação premiada, os procuradores de Curitiba conseguiram obter de criminosos: confissões, provas e compromissos de devolver algo como R$ 12,3 bilhões. O problema é que o dinheiro roubado à vista será devolvido a prazo.

Há parcelamentos de até duas décadas. Daí a disparidade entre os valores solicitados e o montante ressarcido até o momento. A coisa se complica ainda mais nos casos em que a devolução depende não de acordos de colaboração, mas do desfecho de batalhas judiciais. Ouvido pelo blog, um dos procuradores da força-tarefa de Curitiba resumiu o drama:

“É um milagre termos no Brasil esse ressarcimento de pouco mais de R$ 2,5 bilhões. A Lava Jato é uma árvore frondosa crescendo no deserto. A regra no país era não recuperar nada. Antes da Lava Jato, todo o dinheiro repatriado somava menos de R$ 45 milhões. Mesmo depois, houve apenas um outro caso envolvendo repatriação de cerca de R$ 70 milhões. Desconheço qualquer outro caso que envolva recuperação superior a R$ 100 milhões. ”

O procurador acrescentou: “Nas ações penais e de improbidade, o dinheiro só será recuperado no final do processo, quando tudo transitar em julgado. Ou seja: no Dia de São Nunca. É muito comum que esses processos durem mais de dez anos. O réu tem que ter muito azar e a sociedade tem que ter muita sorte para conseguir a recuperação. Pedidos de ressarcimento viraram piada no Brasil. Quando se esgotam as possibilidades de recurso, o réu já se desfez de todo o patrimônio.”

“A gente tenta obter bloqueios cautelares”, prosseguiu o procurador. “Mas se você vai bloquear recursos de uma empreiteira, elas trabalham alavancadas. A indústria, a fábrica, todos os fornecedores já têm uma, duas ou três hipotecas. O Estado entra em quarto lugar na fila. Não pode bloquear capital de giro, porque mata a empresa e gera desemprego. Quando conseguimos bloquear o patrimônio dos réus, pessoas físicas, o bloqueio permanece até o final do processo. Um dia, se os crimes não prescreverem, a gente conseguirá recuperar.”

Como se vê, mesmo nos casos submetidos aos novos padrões de investigação e julgamento, o dinheiro surrupiado do Estado continua sendo como pasta de dente que sai do tubo. Colocar de volta não é tarefa simples. A encrenca não se restringe a Curitiba. No Rio de Janeiro, a Lava Jato pleiteia ressarcimentos de R$ 2,3 bilhões. A Receita Federal já aplicou a empresas e pessoas enroladas no petrolão autuações fiscais de R$ 17,1 bilhões. Só nesses três guichês, o Estado tenta receber notáveis R$ 74,3 bilhões.

Com Josias de Souza.

 

Haddad admite ladroagem na era PT

Haddad admite corrupção sem controle na Petrobras nos governos do PT

Ele diz que diretores da Petrobras ‘ficaram soltos’ para fazer corrupção

Fernando Haddad. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, reconheceu na manhã deste sábado (13) que faltou controle interno nas estatais para combate à corrupção durante os governos petistas.

Questionado sobre declarações do senador derrotado no Acre Jorge Viana, que disse à Folha de S.Paulo ter faltado autocrítica ao PT, Haddad disse que todo dia faz críticas a equívocos cometidos pelo partido e aliados, mas sempre apontando saídas.

O presidenciável citou, como exemplo, a controladoria interna implantada no Ministério de Educação, pasta que comandou por sete anos. Ele disse que pretende estender o modelo às estatais.

“Faltou controle interno das estatais, isso ficou claro. Os diretores [da Petrobras] ficaram soltos para promover corrupção e enriquecer”, disse Haddad, frisando ser um enriquecimento individual desses executivos.

Dois ex-diretores da Petrobras nos mandatos Lula e Dilma Rousseff estão presos no Paraná há mais de três anos: Renato Duque e Jorge Zelada, condenados na Lava Jato. Outros ex-diretores, Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró, viraram delatores, assim como o ex-gerente Pedro Barusco, que fez acordo para devolver US$ 97 milhões (o equivalente, hoje, a R$ 370 milhões).

Instado a apontar culpados, Haddad disse que cabe à Justiça dar a palavra final. Depois, falou da hipótese de prisão de dirigentes partidários, caso confirmado o enriquecimento pessoal. “Aí é pior. Se algum dirigente comete erro, garantido o amplo direito de defesa, mas se concluir que alguém enriqueceu, tem que ir para a cadeia”, disse.

Também preso no Paraná há três anos está João Vaccari, ex-tesoureiro do PT. O ex-chefe da Casa Civil José Dirceu está condenado em segunda instância por receber propina de uma empreiteira, mas aguarda recurso em liberdade.
Haddad disse ainda que todo dia faz críticas a equívocos cometidos pelo partido e aliados, mas sempre apontando saídas.

TSE nega intervenção em grupos do Whatsapp

Nesta sexta (12), a candidatura do PT sofreu um revés no Tribunal Superior Eleitoral. A chapa teve negado pedido para a retirada de conteúdos que considera ofensivos e falsos de um grupo de WhatsApp.

Em decisão desta sexta (12), o ministro Luis Felipe Salomão negou liminar e argumentou que as mensagens não são abertas ao público, como as de redes sociais. “A interferência desta Justiça especializada deve ser minimalista”, escreveu. (Folhapress)

O ocaso da oligarquia política

Eleitor não perdoou os clãs políticos, rejeitou as manobras sorrateiras para se eleger e reprovou candidatos envolvidos em corrupção. Resultado: os caciques – sobretudo de PT e MDB – foram varridos pelas urnas

Wilson Lima e Rudolfo Lago para IstoÉ

Ilustração: Gerson Nascimento

O plano parecia perfeito. O presidente do Senado, Eunício Oliveira, disputava a reeleição no Ceará pelo maior partido do país, o MDB. Estava aliado no Estado ao governador Camilo Santana (PT)., coligado ao PDT de Ciro Gomes, que venceu as eleições no Ceará. Nos moldes da velha política, Eunício cercara as suas chances por todos os lados. No entanto, na hora h tudo falhou. Eunício não voltará ao Senado no ano que vem. Perdeu a vaga para Eduardo Girão (PROS), um dos vários neófitos na política a se eleger este ano. Na terça-feira 9, Eunício chegou a Brasília para presidir as sessões do Senado ainda atordoado. Ele ainda ficará no cargo até fevereiro de 2019, quando o novo Congresso toma posse. Em vez de uma reeleição que parecia certa, sua decisão após a derrota é abandonar a política e voltar aos seus negócios no ramo da vigilância privada.

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Assessor parlamentar do vereador Jahnke volta aos malfeitos

Advogado Marcelo sendo entrevistado na Câmara Municipal pelo assessor do vereador Jahnke (Podemos), Landerson Travenssoli, que foi postada na página do facebook Resistência 24 hs que pertence a esse mesmo Travenssoli & Cia. O que chama á atenção é que o assessor em tela estava em horário de trabalho na Câmara, usando crachá, desta mesma Câmara, mas realizando um trabalho para ser postado numa conta de facebook particular. O fato deu-se nessa quinta (11) ás 10h28m. O assessor nao estava á trabalho do seu vereador. Ao agir desta forma Travenssoli praticou improbidade administrativa. Misturou o público com o privado e deve ser responsabilizado. Não é a primeira vez que esse indivíduo se mete em malfeitos. Senão vejamos:

1 – Foi processado por ter cometido homofobia contra um adolescente no interior da Câmara Municipal. Num caso deprimente. E o vereador Jahnke quedou-se inerte.

2 – Cazuza voltou á prisão por ter quebrado as cautelares impedido que estava de se aproximar da Câmara Municipal, mas o fez, e quem contribuiu para isso? Esse mesmo Travenssoli, que foi filmado pela PF em colóquio com o Cazuza na entrada da Câmara. E o vereador  Jahnke quedou-se inerte.

E agora temos esse caso para o Jahnke resolver. Se se não o fizer a tarefa será delegada ao presidente do legislativo Rogério Quadro (PTB).

PS: pelo vídeo postado no resistência fica-se sabendo que o cinegrafista autor da filmagem foi o outro assessor do Jahnke, o Marcelinho Moura, o Vera Verão. Só felicidade!

EM TEMPO

José Reis, o Cazuza, segue preso na penitenciária Estadual 1. Cazuza permanece isolado em uma cela por decisão da Justiça federal. É considerado detento rebelde, por isso a segregação. A juíza federal da operação Resistência doutora Flávia de Mendonça entrou de férias, muito provável que na sua volta seja sentenciado o processo em que são réus seis pessoas, sendo três mulheres e três homens. O único réu preso é o Cazuza.

 

 

Boquirroto vai substituir Hauly, deputado produtivo e honesto

Hauly: maior acordo trabalhyista do mundo (Foto: Arquivo Câmara dos Deputados)

“O brasileiro não votou para eleger, votou para derrubar”, afirmou o senador Cristovám Buarque (PDT), que não conseguiu se reeleger.

A afirmação se aplica ao deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), no sétimo mandato consecutivo, que também foi rejeitado nas urnas.

Hauly tem uma trajetória brilhante, que resumi há poucos dias ao abordar sua proposta de reforma tributária elogiada por Jair Bolsonaro: “economista, foi vereador, prefeito, secretário de Fazenda do Paraná duas vezes (governos Álvaro Dias e Beto Richa, este nos dois primeiros anos de mandato) e relatou temas de grande perplexidade, como a Lei Kandir (contrapartida aos estados pela desoneração das exportações) e o Supersimples. E intermediou o maior acordo trabalhista do mundo, no valor de R$ 42 bilhões à época (2006), que foi a reposição do rendimento do FGTS por causa dos planos econômicos de Sarney e Collor. O acordo envolveu quase 40 milhões de trabalhadores”.

Sua proposta de reforma tributária está pronta para ser votada em plenário.


A base eleitoral de Hauly é a região de Londrina, que o trocou pelo despirocado, causador de confusão, agressivo, sem formação acadêmica e profissão incerta e não sabida Emerson Petriv, o Boca Aberta (ao lado). Não bastasse isso, os quase 90 mil votos dados a este agitador podem ser jogados na lata do lixo, pois ele se elegeu amparado por uma liminar que suspendeu os efeitos de sua cassação como vereador, há dois anos por quebra de decoro parlamentar.

Moral da história: os londrinenses e vizinhos derrubaram um político sério, produtivo e honesto para eleger, em homenagem à insensatez, um boquirroto.

Com José Pedriali.