Bolso ambiental

Desdém governista diante do desmatamento gera perda de reputação e de recursos

Editorial Folha de são Paulo
Área desmatada para abertura de pastagem na Floresta Nacional do Jamanxim (PA) – Lalo de Almeida – 29.out.14/Folhapress

Os retrocessos promovidos pelo governo Jair Bolsonaro (PSL) na gestão ambiental começam a mostrar efeitos palpáveis. Em menos de uma semana, o país perdeu quase R$ 300 milhões em recursos internacionais destinados à conservação da floresta amazônica.

Primeiro foi a Alemanha, que em 10 de agosto anunciou a suspensão de uma verba de R$ 150 milhões para projetos de combate ao desmatamento e à manutenção da biodiversidade. Na quinta-feira (15), foi a vez da Noruega, que bloqueou um repasse de cerca de R$ 135 milhões para o Fundo Amazônia.

Razões para tanto decerto não faltam. A ministra do Meio Ambiente alemã declarou, em entrevista a um jornal de seu país, que a decisão é resultado da falta de compromisso nacional com a redução do desmate. Com efeito, dados apontam aumento de 15% da destruição da cobertura amazônica no período de 12 meses encerrado em julho.

No caso do governo norueguês, trata-se de uma resposta às reiteradas tentativas brasileiras de desvirtuar o fundo de mais de R$ 3 bilhões (dos quais 95% doados pelo país nórdico), um mecanismo de financiamento do combate à devastação florestal gerido pelo BNDES.

Há mais de três meses o Fundo Amazônia não conta com o seu comitê orientador (Cofa), responsável por estabelecer as diretrizes e critérios de aplicação dos valores. Extinto em maio com outros órgãos colegiados da administração, o Cofa acabou não sendo recriado após Noruega e Alemanha (o outro país doador) rechaçarem sua redução de 23 para 7 assentos, 5 dos quais do governo federal.

Confrontado com a pressão internacional, Bolsonaro reagiu com um misto de soberba e ironia, ao criticar os dois países europeus e desdenhar dos recursos.

Além da incivilidade diplomática, o presidente demonstra irrealismo. Dado o contexto de grave restrição orçamentária, parte das ações ambientais do Estado brasileiro só tem ocorrido graças às doações internacionais.

No âmbito federal, o dinheiro do Fundo Amazônia tem sido fundamental para o Ibama manter o combate ao desmatamento e a prevenção de incêndios.

Tais verbas financiam em 12 estados, ademais, a implantação do Cadastro Ambiental Rural —mecanismo previsto no Código Florestal que identifica as áreas de reserva legal e as de preservação permanente das propriedades rurais.

Ao jogar para uma plateia doméstica hostil à pauta ambientalista, o governo mancha a imagem do país e se arrisca a prejudicar as próprias exportações do agronegócio.

MP investiga Ricardo Salles por enriquecimento ilícito de R$ 7,4 milhões em cinco anos

O período a ser analisado pelo Ministério Público é de 2012 a 2017, quando o ministro do Meio Ambiente deixou de atuar como advogado para ocupar cargos no governo paulista

Ricardo Salles e o presidente Jair Bolsonaro (PSL). (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)
  

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigar a suspeita de enriquecimento ilícito do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O período a ser analisado pelo MP é de 2012 a 2017, quando Salles deixou de atuar como advogado para ocupar cargos no governo paulista. O ministro teria acumulado R$ 7,4 milhões em cinco anos.

Com base na declaração de bens que o ministro prestou à Justiça Eleitoral em 2012, quando foi candidato a vereador pelo PSDB, Salles declarou possuir R$ 1,4 milhão em bens. A maior parte era em aplicações financeiras, 10% de um apartamento, um carro e uma moto. Porém, em 2018, quando saiu a deputado federal pelo Novo, foram R$ 8,8 milhões, sendo dois apartamentos de R$ 3 milhões cada, R$ 2,3 milhões em aplicações e um barco de R$ 500 mil, correspondendo a uma alta de 335% em cinco anos, corrigindo o valor pela inflação.

O que torna o enriquecimento do ministro uma suspeita de ilegalidade é que, durante quase metade do período sob investigação, Salles ocupou cargos no governo do Estado. Foi secretário particular do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) entre março de 2013 e novembro de 2014, função pela qual recebia R$ 12,4 mil líquidos, e secretário do Meio Ambiente na mesma gestão, entre julho de 2016 e agosto de 2017, com remuneração média de R$ 18,4 mil.

Veja também:  Bolsonaro: Novo PGR não poderá ser “xiita ambiental” ou “supervalorizar” minorias

Em nota, a assessoria do Ministério do Meio Ambiente afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo que o “patrimônio e os rendimentos do ministro foram sempre declarados adequadamente à Receita Federal” e que “a própria representação não traz nada diferente do que nelas constam”.

Não é a primeira vez que Salles é investigado pelo Ministério Público. O ministro de Bolsonaro também foi alvo de um processo por improbidade administrativa, por violação aos princípios constitucionais da administração pública, e responde a um processo civil por danos ao erário.

A atual investigação de enriquecimento ilícito tem como suspeita de ter ocorrido no período em que ele foi acusado de fraudar o plano de manejo de uma área de proteção ambiental quando foi secretário em São Paulo para beneficiar empresas de mineração. O MP moveu ação que resultou na condenação dele por improbidade administrativa em dezembro de 2018.

Com Estadão.

Estudantes de medicina são presos com anabolizantes e medicamentos contrabandeados no Paraná

Anabolizantes e medicamentos contrabandeados foram apreendidos na BR-277, em Cascavel — Foto: PRF/Divulgação

Anabolizantes e medicamentos contrabandeados foram apreendidos na BR-277, em Cascavel — Foto: PRF/Divulgação

Dois estudantes de medicina (de Foz do Iguaçu) foram presos com anabolizantes e medicamentos contrabandeados na BR-277, em Cascavel, no oeste do Paraná, neste sábado (17).

Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), os produtos contrabandeados estavam escondidos nas portas e bancos de um veículo que foi parado em uma fiscalização na rodovia.

Os policiais desconfiaram que o motorista, de 28 anos, e a passageira, de 39 anos, estavam escondendo algo por causa do nervosismo dos dois.

Os estudantes contaram à polícia que fazem medicina no Paraguai e que estavam levando as substâncias contrabandeadas para Maringá, no norte do estado.

Os dois foram presos pelos crimes de contrabando e crime contra a saúde pública.

Produtos estavam escondidos nas portas do carro parado em uma fiscalização na BR-277 — Foto: PRF/Divulgação

Produtos estavam escondidos nas portas do carro parado em uma fiscalização na BR-277 — Foto: PRF/Divulgação

Policiais precisaram desmontar as portas do carro para retirar os anabolizantes contrabandeados — Foto: PRF/Divulgação

Policiais precisaram desmontar as portas do carro para retirar os anabolizantes contrabandeados — Foto: PRF/Divulgação

Com G 1 PR

 

Era uma vez em Hollywood

O 9º filme de Quentin Tarantino estreou em rede nacional. Assisti neste sábado no shopping Cataratas. Papa fina.
O roteiro passa-se em 1969 e visita a chacina dos ripongas do Charles Manson em que sucumbiu a então namorada do Roman Polansky, Sharon Tate, estrela de A Casa das Bonecas. Manson pegou perpétua, vindo a morrer na prisão em 2017 com 83 anos. Tarantino sabe fazer bons filmes.

Veja um tiquinho no vídeo abaixo:

 

Palocci solta a língua. Quem perde é Lula

Ex-ministro Antonio Palocci detalha esquema de corrupção organizado pelo PT e deixa o ex-presidente petista mais distante da liberdade

Nada como um dia após o outro. Integrantes do PT já comemoravam que a partir de setembro o ex-presidente Lula, condenado a 8 anos e 10 meses de cadeia por corrupção no caso do tríplex do Guarujá, teria tudo para obter o direito à progressão de pena, o que poderia colocá-lo no mínimo em prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. A divulgação das mensagens roubadas dos celulares dos procuradores de Curitiba e do ex-juiz Sergio Moro favorecia o clima em torno do petista. Mas a divulgação do teor da delação premiada feita pelo ex-ministro Antonio Palocci virou a mesa e deixou Lula novamente em maus lençóis, o que certamente pesará contra ele quando os ministros do STF forem analisar se o colocam ou não em liberdade vigiada. Conforme o acordo fechado por Palocci junto à Polícia Federal, já devidamente homologado pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, o PT recebeu de empreiteiras de obras públicas, de 2002 a 2014, um total de R$ 270,5 milhões para o financiamento das campanhas de Lula e Dilma Rousseff, além de outros R$ 50 milhões de instituições bancárias para bancar as campanhas presidenciais do PT, sobretudo as da ex-presidente. Palocci jogou tudo no ventilador: além de Lula e Dilma, petistas de primeira grandeza, como ex-governadores e ex-ministros, receberam propinas de empresas favorecidas durante os governos do PT. Pelo menos 16 empresários apoiaram financeiramente as campanhas presidenciais do partido com dinheiro sujo do caixa dois.

Ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, Palocci não teve papas na língua. Disse que as propinas partiram de grandes grupos empresariais que obtiveram benefícios dos governos petistas em desonerações tributárias, linhas de crédito do BNDES, auxílio a fusões e apoio da base do PT no Congresso para medidas de seus interesses. Na opereta narrada por Palocci, estão até mesmo operações para barrar ações contra a corrupção de empreiteiras em Cortes Superiores, como o STJ. A Construtora Camargo Corrêa, por exemplo, pagou propina para o PT enterrar a investigação da Castelo de Areia, que a atingia. Palocci afirma que o PT trabalhou nos bastidores para anular essa operação e que a “recompensa” foi o pagamento de pelo menos R$ 50 milhões em propinas pagas pela Camargo Corrêa, tudo a título de doações eleitorais para as eleições de Dilma em 2010 e para outros políticos do partido, como Gleisi Hoffmann, hoje presidente do PT.

Sede ao pote

A presidente nacional do PT também ganhou outros mimos das empreiteiras, conforme a delação de Palocci. Em 2010, Gleisi recebeu R$ 3,8 milhões em propinas (R$ 2 milhões da Odebrecht, R$ 800 mil da OAS, e R$ 1 milhão da Camargo Corrêa). Tudo com recursos do famigerado caixa dois. A delação de Palocci tem 23 anexos, que apontam valores destinados a doze políticos, entre os quais estão ex-ministros de Estado, parlamentares e ex-parlamentares. Além de Gleisi, também o ex-senador Lindbergh Farias (PT-RJ) foi com sede ao pote: recebeu R$ 3,2 milhões da Odebrecht para a sua campanha ao Senado. Já para a campanha do ex-governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, a Camargo Correa doou R$ 2 milhões. Tião Viana, ex-senador do Acre, embolsou outros R$ 2 milhões do departamento de propinas da Odebrecht.

Entre os anexos está um que revela que o filho do ex-presidente, Luiz Cláudio Lula da Silva, também se lambuzou: recebeu propinas por meio de sua empresa Touchdown, confirmando as investigações no âmbito da Operação Greenfield. Essa ação ainda não foi julgada pela Justiça Federal do DF, mas envolve também o próprio ex-presidente, que já virou réu nesse caso por corrupção. As revelações deixam Lula insone: elas poderão esticar ainda mais sua temporada na cadeia em Curitiba.

Da Istoé