“Nunca antes na história deste país tantas palavras (“Brahma”, “tulipa” “caneco” “mochila”, “pixuleco”, “crise”, “roubalheira”, “safadeza”…) apontaram para apenas duas letras: PT.- Sidney de Oliveira Novaes Junior, cidadão de Foz do Iguaçu, PR, na sessão Cartas da VEJA da semana

06jul

Josias de Souza

Em sua convenção nacional, o PSDB revelou-se um partido a caminho do rio. Cuida para não tirar os sapatos antes de chegar à margem. Mas, tomado pelos discursos, não parece se dirigir ao Rubicão para pescar. Fernando Henrique Cardoso resumiu a cena assim:

“Nós não somos os donos, nesse momento, do que vai acontecer nas semanas seguintes, nem nos meses seguintes. Nós somos donos de nós próprios, da nossa consciência… E estamos prontos, sim, dependendo das circunstâncias, para assumir o que vier pela frente, porque o PSDB sabe governar.”

Reeleito presidente do PSDB, Aécio Neves insinuou que, na prática, a principal poltrona do Planalto já está vazia. “Devido a seus erros crassos e frequentes, a presidente não governa mais. Ela vê, a cada dia, o seu poder se esvair.”

Aécio falou aos convencionais do PSDB como se farejasse para breve a convocação de novas eleições, com a cassação de Dilma e seu vice, Michel Temer, pela Justiça Eleitoral. O senador chegou mesmo a cantar vitória. “Se prepararem! Dentro de muito pouco tempo, não seremos mais oposição. Vamos ser governo, para limpar a lambança que o PT fez em todas as áreas da administração pública.”

O senador José Serra também tratou a gestão Dilma como terminal. “Nós temos hoje um governo fraco, incapaz de reverter essa situação. É o mais fraco governo de que eu tenho memória em toda a minha vida.” Serra comparou Dilma ao ex-presidente João Goulart, o Jango, cujo mandato foi interrompido por um golpe militar.

“Muitas vezes se pergunta: ah, e o Jango, em 64? O Jango era de uma solidez granítica perto do governo Dilma. Ele pelo menos sabia escolher gente. Naufragou, o Brasil ficou com inflação alta, ele foi derrubado e tudo mais… Mas, perto da Dilma, o Jango era um gigante na administração.”

Serra cuidou de esclarecer que não deseja para Dilma um epílogo militar. Citando uma frase do ex-senador carioca Nelson Carneiro, disse esperar por uma solução política. “Nelson me disse uma vez: em política, às vezes, a menor distância entre dois pontos não é uma linha reta, é o entendimento político. E é por esse entendimento que nós temos que trabalhar, para fazer um grande sistema de forças que permita recolocar o Brasil na trajetória da democracia…”

A ideia de entendimento político sugere a abertura de muitas portas. Entre elas a de um eventual acordo da oposição com o PMDB do vice-presidente Michel Temer. Algo que contemplasse a saída apenas de Dilma. Nessa fórmula, Temer completaria o mandato, apoiado pela oposição.

A perspectiva de disputar o Planalto novamente faz com que Aécio tome distância dessa fórmula sugerida por Serra. Para Aécio, a verba suja que financiou a campanha de Dilma contaminou também o seu vice: “Os sucessivos escândalos que aí estão consolidam a ideia de que se instalou no Brasil um modos operandi organizado e sistematizado em que vale tudo para se manter no poder, e que agora coloca sob gravíssima suspeição a campanha que elegeu a atual presidente da República e seu vice”, disse.

Aliado de Aécio e também avesso à tese do “grande acordo”, o senador Cássio Cunha Lima, líder do PSDB no Senado, sugeriu na convenção tucana que a legenda dê um passo à frente. “O caminho da mudança está posto pela Constituição e pela lei eleitoral, que será a convocação de novas eleições”, disse.

Cássio prosseguiu: “Proponho a esta convenção que o PSDB possa formalmente deliberar sobre a defesa aberta da realização de novas eleiçoes no país, para que o novo governo, legitimado pela soberania do voto popular, tenha condições de fazer as mudanças. Vamos levar às ruas do país a bandeira das novas eleições. É a saída democrática, institucional, que respeita a soberania do povo.”

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05jul

1 CréditoFotos Ricardo AzevedoJNT

Meninos da base também venceram no final de semana pelo Paranaense Sub-19.

Um final de semana com “tudo azul” para o futebol da Terra da Itaipu Binacional. No Sábado (4), os meninos da base do Foz do Iguaçu Futebol Clube foram a Cascavel e venceram o FC Cascavel pelo placar de 2 a 1 em partida válida pela terceira rodada do segundo turno do Campeonato Paranaense. Rafael Alemão e Marcelo fizeram os gols que garantiram a invencibilidade e a liderança do grupo A da competição.

“ Foi uma partida difícil, mas conseguimos vir com uma vitória fora de casa e diante de um forte adversário na competição”, disse Ivan Carlos Mororo Alves, técnico da equipe Sub-19.

Já, no Domingo (5), em mais um amistoso preparatório para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série D, o elenco principal do Foz do Iguaçu FC recebeu o Maringá e venceu a equipe do norte paranaense pelo placar de 1 a 0 com gol do craque Bahiano. Há uma semana da estreia na competição nacional , o técnico Claudemir Sturion aproveitou a partida para avaliar jogadores que foram recentemente contratados, como o caso do atacante Lucas Rangel e do goleiro Fabrício, que não participaram do amistoso diante do Cianorte.

“Contamos com um grupo experiente e fechado no objetivo que é buscarmos o acesso a Série C”, disse Sturion.

Ingressos para a Foz do Iguaçu FC x Volta Redonda estão a venda

Os ingressos para a partida de estréia do Foz do Iguaçu FC no Campeonato Brasileiro da Série D 2015 diante do Volta Redonda (RJ), no dia 12 de Julho, às 16 horas, já estão disponíveis no site www.fozfutebol.com.br .

Os valores para compra antecipada de ingressos para o setor arquibancadas será de R$ 40,00 e cadeiras R$ 60,00. Os valores para aquisição no dia dos jogos será R$ 80,00 para o setor arquibancadas e R$ 120,00 para o setor cadeiras.

PROGRAMA SÓCIO-TORCEDOR

O programa Sócio-torcedor do Foz do Iguaçu FC oferece duas opções de filiação: Sócio-Torcedor Azulão e Sócio-torcedor Gold. A primeira , com o valor de R$ 40,00 mensais (contrato de 12 meses), garante ao torcedor acesso gratuito ao setor Arquibancadas em todos os jogos do Foz do Iguaçu Futebol Clube na temporada 2015/2016, uma camisa oficial, acesso exclusivo ao estádio e cartão de descontos na rede de empresas parceiras. Já, o Sócio-Torcedor Gold, com o valor de R$ 80,00 mensais (contrato de 12 meses) , oferece acesso gratuito ao setor Cadeiras em todos os jogos do Foz do Iguaçu Futebol Clube na temporada 2015/2016, uma camisa oficial, acesso exclusivo ao estádio e cartão de descontos na rede de empresas parceiras. Ambos os planos podem ser adquiridos em 12 vezes através de cartão de crédito ou boleto bancário. Informações detalhadas sobre como se tornar “Sócio-Torcedor” do Azulão podem ser adquiridas no site www.fozfutebol.com.br ou pela Central de Atendimento ao Torcedor: (45) 3029-2424

 

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05jul

Richa: mais problemas pela frente

Os investigadores da Lava-Jato abriram uma frente de investigação especialmente para Beto Richa. Já começaram inclusive a interrogar delatores sobre negócios envolvendo o governador tucano.

Por Lauro Jardim

“La dolce vita” de Lula

 

Lula pediu "vinho francês de boa qualidade"

Em 19 de setembro de 2012, Lula viajou com uma pequena comitiva ao México, que incluía Kalil Bittar, sócio do seu filho Lulinha. Evidentemente, nada de avião de carreira.

Para o deslocamento foi alugado um Legacy 650. Quem pagou? A subsidiária americana da Odebrecht quitou a fatura de 780 000 reais.

E nada de passar aperto. No contrato com a empresa de táxi-aéreo está escrito com todas as letras que nos voos de ida e de volta não deveria faltar “vinho tinto francês de boa qualidade”.

Por Lauro Jardim

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05jul

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Zé Reis, o “Cazuza genérico” (segundo o jornal Impacto), presidente “virtual” do Pros na fronteira, vive o seu inferno astral. Ao lado o seu presidente Eurípedes Junior, ficha suja. Que dupla, hein?

O vereador Zé Carlos deixou o Pros, saiu atirando, foi ele que chamou o Cazuza de “presidente virtual”, afirmou que se desligar o computador o matusquela some. (kkkkk)
O outro vereador Rudinei de Moura só espera abrir uma janela para sair também. Conclusão o partido do Eurípedes Junior foi implodido na fronteira. Virou suco.

Nesta quarta-feira que passou o Cazuza foi visto no escritório do advogado Oswaldo Loureiro (o fala mansa), todo macambuzio… Deveria estar pensando” “e agora o que eu vou dizer para a executiva nacional do Pros”?

Na Câmara Municipal de Foz do Iguaçu o Cazuza e o seu Pros viraram motivo de chacotas. Nesta semana que passou quando o vereador Zé Carlos ocupou a tribuna para rotular Cazuza de “presidente virtual”, quando o vereador Paulo Rocha (PSB) aparteou o seu colega para endossar toda a sua fala. Tadinho do punzinho virou suco…

(Sem falar na rebordosa da invasão do Bubas com o BO dos 200 mil reais que um empresário de Foz alega terem lhe passado a perna).

Pitaco: O Cazuza adora chamar o Paulo McD de ficha suja, agora não poderá mais fazer isso, afinal, o Eurípedes Jr. seu presidente nacional do Pros também é ficha sujíssima. Qualquer dúvida basta contactar a Justiça Eleitoral de Goiás. Simples assim.

Pitaco: a qualquer momento o vereador Rudinei de Moura usará da tribuna para dizer o que pensa do Cazuza. Ai, ai, ai…

 

RENI PEREIRA SAIU DE FÉRIAS

Prefeito Reni Pereira tirou 30 dias de férias. Assumiu a vi-prefeita Ivone Barofaldi. Reni vai até o Oriente Médio tentar trazer investimentos para Foz do Iguaçu. Oxalá consiga.

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05jul

Líderes da oposição defenderam nesta sexta-feira (3) que o pedido do PT feito ao doleiro Alberto Youssef para repatriar R$ 20 milhões para a campanha da presidente Dilma Rousseff no ano passado é mais um elemento que reforça a tramitação do pedido de impeachment contra a petista no Congresso.

Como a Folha de S. Paulo mostrou nesta sexta, Youssef, apontado como um dos principais operadores do esquema de corrupção descoberto na Petrobras, contou à Justiça Eleitoral que foi procurado por um emissário da campanha para trazer ao Brasil o montante depositado no exterior.

“Cada vez mais surgem elementos de que o esquema do petrolão alimentou a campanha presidencial, o que reforça tanto a tramitação do pedido de impeachment na Câmara quanto o processo de investigação da forma de financiamento da campanha pelo TSE, que deveria cassar o mandato dela”, afirmou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).

Ronaldo Caiado (GO), líder do DEM no Senado, cobrou posicionamento do Tribunal Superior Eleitoral. “Ainda não assistimos o TSE se pronunciar em relação a esse fato, e as provas são mais do que evidentes. O mais grave é imaginar que o Palácio do Planalto, a figura da presidente, estava envolvida.”

 

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05jul

Elio Gaspari

A pergunta é fácil e cada um responde como quiser, mas restam outras: Como? Para quê? Para botar quem?

Desde que Ricardo Pessoa começou a colaborar com as autoridades, essa pergunta tornou-se um complemento rotineiro aos comentários para quaisquer fatos. Milton Pascowitch fechou seu acordo de colaboração e José Dirceu pediu um habeas corpus preventivo. Será que ela termina o mandato? Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Petrobras, está preso. Será que ela termina o mandato? O deputado Eduardo Cunha sugere que seu aliado Michel Temer abandone a coordenação política do governo porque, enquanto ele costura alianças de dia, o PT descostura-as à noite. Se o PMDB se afastar ainda mais do Planalto, será que ela termina o mandato?

O regime democrático brasileiro elegeu quatro presidentes: Fernando Collor, FHC, Lula e Dilma. Um foi para casa antes de concluir o mandato. Se isso acontecer a outro, chega-se a uma taxa de mortalidade de 50%. (A do vírus Ebola esteve
em 70%.)

Indo aos mecanismos práticos existentes, Dilma Rousseff pode ser impedida pelo Congresso. Nesse caso, assume Michel Temer para concluir o mandato. Trocar Dilma por Temer vem a ser o quê?

Dilma também pode ter o seu mandato anulado pelo Tribunal Superior Eleitoral e há processos que, algum dia, podem acabar dando nisso. Nesse caso, a vice de Temer vai junto e assume Aécio Neves. No país do futebol, entregar a taça a quem perdeu a final é uma coisa meio girafa.

Noutra hipótese, o TCU pode rejeitar as contas da doutora, enviar sua decisão ao Congresso e vê-la referendada, o que provoca um impedimento com padrinho. É uma fórmula engenhosa, mas o Tribunal de Contas não chega a ser um tribunal e sua relação com as contas dos poderosos jamais encantou a plateia.

Nenhum desses três mecanismos fica de pé sem o ronco da rua. Não se pode dizer se ele virá, nem como virá. Quando se tratava de mandar Collor para casa, empossar Itamar Franco pareceu uma boa ideia. E foi.

Presidente com um dígito de aprovação antes de completar um ano é coisa nunca vista. Quem levou a doutora Dilma à situação em que está não foi a oposição, muito menos os moinhos de vento que o PT vê a cada esquina. Foi ela mesma. Como sairá dessa, só ela poderá saber. As razões pela qual entrou nessa enrascada foram muitas. Talvez a maior delas, por desnecessária e megalomaníaca, tenha ocorrido dias depois de sua vitória no ano passado, quando o PT tentou atropelar o PMDB.

 

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05jul

O juiz Sérgio Moro, que conduz a Operação Lava Jato no Paraná, autorizou pedido da Polícia Federal para que o empreiteiro Ricardo Pessoa seja ouvido no âmbito do inquérito do qual a senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) é alvo. Pessoa, que é dono da UTC Engenharia e um dos delatores da Lava Jato, será ouvido pela Polícia Federal em São Paulo no próximo dia 8 para esclarecer se a senadora e ex-ministra foi beneficiária do esquema responsável por desviar bilhões da Petrobras. Em acordo de delação premiada firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR), Pessoa diz ter dado R$ 3,6 milhões como “caixa 2″ a tesoureiros petistas. As informações são do Estadão.

Em depoimento prestado à Polícia Federal em abril deste ano, Gleisi confirmou ter recebido doações da UTC e diz ter pedido pessoalmente a Ricardo Pessoa contribuições para eleger-se senadora pelo Paraná, em 2010. A petista afirmou ainda que conhecia Pessoa desde os tempos em que também trabalhou em Mato Grosso do Sul. De acordo com o sistema de prestação de contas eleitorais, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gleisi recebeu R$ 250 mil em 2010, quando
concorreu ao Senado, e R$ 950 mil em 2014, quando disputou o governo do Paraná.

Além de Pessoa, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht, que está preso pela Operação Lava Jato, também foi ouvido pela PF em maio para prestar esclarecimentos sobre suposto envolvimento da senadora com o esquema. À PF, Gleisi também confirmou ter procurado pessoalmente o então dirigente da Odebrecht para pedir doações à sua campanha de 2010.

Gleisi é alvo de inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal em março depois de ter sido citada por pelo menos dois delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ambos disseram a investigadores que atuaram para que a então candidata ao senado recebesse R$ 1 milhão para financiar sua campanha de recursos provenientes de desvios da estatal.

Costa disse ter sido procurador por Youssef para “ajudar” a campanha da petista com R$ 1 milhão. O pedido foi confirmado posteriormente pelo doleiro, também em depoimento a investigadores da Lava Jato. A senadora, contudo, nega as acusações. Ela disse ainda à PF que o dinheiro recebido da Odebrecht, UTC e de outras empreiteiras investigadas é fruto de doações legais, devidamente registradas no TSE.

 

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05jul

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Não foram poucas as histórias da carochinha contadas pelo ex-líder das ruas

Mary Zaidan

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva já não é mais o mesmo. Pouco parece ter sobrado do hábil hipnotizador de plateias. Na sexta-feira, durante a 5ª Plenária Nacional da Federação Única dos Petroleiros, nem o macacão laranja – figurino que já usara em 2006 para anunciar, de mãos sujas de óleo, a autossuficiência de petróleo que nunca veio – conseguiu salvá-lo.

Reuniu pouco mais de uma centena para ouvi-lo mandar a sua pupila Dilma Rousseff ir para as ruas, enquanto ele só tem falado sob a proteção de quatro paredes. E entre amigos. Desta vez, no auditório da Escola Nacional Florestan Fernandes, do MST, em Guararema (SP).

Como de costume, o objetivo era colocar-se como vítima e defensor exclusivo da Petrobras, da qual o seu governo e o de sua afilhada fizeram gato e sapato. “Se quiserem um brasileiro que tem orgulho da Petrobras, eu estou aqui.”

Se caráter tivesse, se diria envergonhado. Pediria desculpas.

Empresa que já ocupou o oitavo lugar entre as maiores do mundo, a Petrobras viu seu valor e sua credibilidade despencarem nos quatro últimos anos. No ranking da revista Forbes divulgado em maio, caiu da 30ª para a 416ª posição. Postergado por meses, o balanço auditado da companhia apresentou prejuízo de quase R$ 22 bilhões em 2014, o maior de uma empresa brasileira de capital aberto desde 1986.  E, confessamente, escrito lá no balanço, mais de R$ 6 bilhões foram perdidos para a ladroagem, cifra que a Polícia Federal considera timidíssima. A PF calcula, por baixo, que a corrupção comeu R$ 19 bilhões da estatal. Um rapa sem igual.

Não foram poucas as histórias da carochinha contadas pelo ex-líder das ruas.

Falou do mau humor que domina o noticiário, protestou quanto ao tratamento que recebe e, sem indicar os protagonistas, reclamou do que diz ser vazamento seletivo da Lava-Jato, rebatendo na tecla de que querem acabar com o PT.

Perdoou a Dilma que ele disse ter mentido ao Brasil durante a campanha eleitoral, rogando a Deus para que ela não perca a tranquilidade.

Insistiu na ladainha de que o cenário internacional é responsável pela crise brasileira e escancarou um pecado desconhecido por seus torcedores: a fórmula utilitária com que sempre tratou a massa que até há pouco tempo ele inebriava. “Nas horas mais difíceis, não tem outra alternativa a não ser encostar a cabeça no ombro do povo e conversar com ele”, ensinou. Uma lógica que não deixa dúvidas quanto aos momentos em que para ele o povo importa.

Lula é guloso. Saboreia o poder com prazer infinito. Lambuzou-se o quanto pode. Mas é também um sobrevivente. Sempre soube se reinventar.

Como presidente da República, pediu perdão aos brasileiros pelo mensalão. Ao deixar o cargo, negou a existência do que até a Lava-Jato era tido como o maior escândalo do país, afirmando que até o resto de seus dias brigaria para provar que tudo não passara de armação. Impingiu a neófita Dilma e foi vitorioso. Fala mal dela, puxa-lhe o tapete para afagá-la no dia seguinte.

Joga todos – o PT, Dilma e ele próprio – nas profundezas do volume morto, para tentar sair de mãos limpas.

Tenta imaginar-se como uma fênix, capaz de renascer das cinzas. Mas até Lula parece saber: seu encanto se quebrou.

Conta secreta na Suíça abasteceu campanha de Lula em 2006

Robson Bonin, Veja

O documento abaixo reproduz a movimentação de uma conta secreta na Suíça aberta pelos empreiteiros para pagar propina. Segundo Ricardo Pessoa, foi dela que saíram R$ 2,4 milhões que reforçaram o caixa da campanha do ex-presidente Lula em 2006 – dinheiro desviado dos cofres da Petrobras que chegou ao Brasil em uma operação financeira totalmente clandestina e ilegal.

 

O delator contou que a UTC, a Iesa, a Queiroz Galvão e a Camargo Corrêa formavam o consórcio que venceu a licitação para construir três plataformas de petróleo. Como era regra na estatal, um porcentual do contrato era obrigatoriamente reservado para subornos. A conta foi criada para o “pagamento de comissionamentos devidos a agentes públicos em razão das obras da Petrobras, ou seja, o pagamento de propinas”, disse Pessoa. Ela também ajuda a dificultar o rastreamento de corruptos e corruptores. Foi dessa fonte clandestina que saiu o dinheiro que ajudou Lula a se reeleger.

Para comprovar a existência da conta secreta, o empreiteiro apresentou ao Ministério Público extratos com as movimentações. Batizada de “Controle RJ 53 – USquot;, a planilha registra operações envolvendo 5 milhões de dólares em pagamentos de propina. Além de financiar o caixa dois de Lula, a conta suíça foi utilizada para pagar os operadores do PT na Petrobras. Entre as movimentações listadas pelo empreiteiro estão pagamentos ao ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco, um dos responsáveis pela coleta das propinas destinadas ao PT.

 

Os repasses à campanha de Lula foram acertados entre Ricardo Pessoa e o então tesoureiro petista, José de Filippi. Era o próprio empreiteiro que levava os pacotes de dinheiro ao comitê da campanha em São Paulo. A entrega, como VEJA revelou em sua edição passada, era cercada de medidas de segurança típicas de organizações criminosas. Ao chegar à porta do comitê, o empreiteiro dizia a senha “tulipa”. Se ele ouvia como resposta a palavra “caneco”, seguia direto para a tesouraria. Se confirmados pela Justiça, os pagamentos via caixa dois são a primeira prova de que o ex-presi­dente Lula também foi beneficiado diretamente pelo petrolão.

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05jul

Painel, Folha de S. Paulo

Irritado com os ataques do PT à manobra que permitiu votar pela segunda vez a redução da maioridade penal, Eduardo Cunha (RJ) vai pressionar internamente e defender publicamente o rompimento definitivo do PMDB com o governo.

Divórcio 2 - Para o presidente da Câmara, a relação vem piorando, e se tornou insustentável com a decisão do PT e de aliados de questionar no Supremo suas decisões no comando da Câmara.

Sem selfie - Michel Temer passou a receber dirigentes partidários e parlamentares que já falam abertamente em desembarcar da base. “Ninguém quer sair na foto com quem tem 9% de aprovação. Os partidos começaram a procurar os 91%”, afirma um auxiliar do vice.

Separação… - Integrantes da cúpula do PMDB se municiam de argumentos jurídicos para defender a legitimidade da permanência de Temer no poder caso Dilma seja cassada pelo TSE no processo que apura se sua campanha recebeu dinheiro de corrupção.

… de bens - Argumentam que o vice tinha um comitê financeiro e um tesoureiro próprios. Portanto, não teria sido “contaminado” pelo financiamento irregular. Temer já foi informado dessa argumentação por um dirigente.

Prospecção - Empresários, que antes rejeitavam uma ruptura por recear a instabilidade econômica, agora procuram caciques do Congresso para sondar o terreno e para dizer que não botam mais fé no ajuste fiscal.

 

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05jul

Josias de Souza

O governo Dilma Rousseff está tonto. Lula cavalga uma agenda vencida. E o PT virou máquina coletora de pixulecos, como o ex-tesoureiro João Vaccari Neto chamava as propinas que embolsava. Contra esse pano de fundo, o PSDB realiza sua convenção nacional neste domingo convencido de que o petismo vai à próxima sucessão presidencial —em 2018 ou antes— como força favorita a fazer de um tucano o novo presidente do Brasil. Esse tipo de triunfalismo costuma levar à imobilidade, não à vitória.

Aécio Neves fica na presidência do partido até 2017. Mas já não é o candidato natural ao Planalto. Terá de tourear dois inimigos cordiais: Geraldo Alckmin, que também ambiciona a Presidência; e José Serra, candidato a estorvo. O estatuto da legenda prevê a realização de eleições prévias. Todos querem fazer prévias. Mas ninguém regulamenta as prévias. O tucanato ainda não aprendeu que as regras são sempre menos perigosas do que a imaginação. Sem elas, chega-se à autofagia.

Mesmo que se admita que a presença de Dilma no volume morto leva água para o moinho que abastece o ninho, os tucanos não estão desobrigados de responder à pergunta que o eleitorado faz aos seus botões: o que diabos o PSDB tem a oferecer? Num instante em que Lula faz pose de líder da oposição, Renan e Cunha reivindicam o título de herois da resistência, o PMDB prepara o desembarque e até o TCU grita “basta”, o PSDB desperdiçará sua hora se achar que pode vencer apenas falando mal dos antagonistas e embrulhando sua raiva para presente.

Retirado do poder federal em 2002, o PSDB não conseguiu construir em 13 anos um ideário que pudesse ser chamado de programa alternativo. Hoje, o tucanato está acorrentado ao projeto-novela-das-nove, no qual o mocinho tucano percorre uma trilha ladrilhada com pedrinhas de brilhantes, cabendo à plateia apenas acompanhar o enredo e torcer pelo final feliz. Isso pode lotar páginas de jornal. Mas o que encherá as urnas será o sonho da prosperidade, que inclui pelo menos: controle da inflação, religamento das caldeiras da economia e o fechamento do porão de imoralidades pluripartidárias.

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05jul

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Claudio Humberto

O Tribunal Superior Eleitoral se prepara para um dos julgamentos mais importantes da história. Trata-se da denúncia de que a campanha de reeleição da presidente Dilma foi financiada com dinheiro ilegal, fruto da corrupção. Será decisivo o depoimento, ao TSE, do delator Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC e coordenador do cartel que roubou a Petrobras. Seu testemunho nesse caso será nitroglicerina pura.

Doleiro na roda
O doleiro Alberto Youssef pode também depor no TSE. Ele contou que o PT lhe pediu para “internalizar” R$ 20 milhões para a campanha.

A origem
O processo no TSE foi aberto com a denúncia do PSDB de que a campanha de Dilma recebeu doações ilegais e não prestou contas.

Novas evidências
Em depoimento à Lava Jato, Ricardo Pessoa confessou haver levado dinheiro vivo, do esquema do Petrolão, para a campanha de Dilma.

Achaque petista
A própria Dilma já admitiu haver recebido R$ 7,5 milhões da UTC, que Ricardo Pessoa garantiu terem sido produto de achaque.

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05jul

O homem bomba, Ricardo Pessoa lista novos nomes de políticos que receberam dinheiro de propina. Documentos são apresentados como provas pelo empreiteiro. São tabelas, contratos e controles do dono da UTC. Lula recebeu R$ 2,4 milhões; José Dirceu, R$ 3 milhões, o filho deputado Zeca Dirceu (PT-PR) mais R$ 100 mil. A campanha de Dilma e o PT também são citados. As informações são do Jornal Nacional.

Veja o vídeo

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05jul

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Fernando Henrique Cardoso

Diante da paralisia governamental, da expansão incontrolada da ação legislativa, da recessão econômica e do ativismo da Justiça, vê­-se muita cobrança: e as oposições, e o PSDB? Sumiram? Que farão com os mais de 50 milhões de votos que receberam?

Compreende­-se a angústia, mas é preciso distinguir os papéis da oposição e os do governo. Como no jogo de xadrez, o governo joga com as pedras brancas, as iniciativas têm de partir dele. Tomou algumas no desespero, para enfrentar as agruras financeiras. Ao tomá-­las foi buscar quadros e medidas no arsenal da oposição. Quer isso dizer que a oposição deve ficar paralisada? Não. Política econômica é questão de dosagem e de credibilidade. A dose parece excessiva e todo esforço fiscal pode se esvair na falta de atividade econômica, que encolhe a arrecadação. Segundo, sem um horizonte de esperança, qualquer ajuste pode ser letal. Com este governo não há recuperação de credibilidade à vista, pois o cristal se quebrou. E os escândalos de corrupção revelados diariamente se encarregam de corroer qualquer elo de confiança que o governo queira tecer.

Cabe às oposições mostrar no dia a dia, e não só no Congresso, que o sofrimento do povo é consequência da ação desatinada dos governos de Lula e Dilma ­ da dupla, e não só da última ­, que desdenharam das boas práticas de gestão do Estado. Só na Petrobrás, os prejuízos causados por decisões erradas para atender a pressões políticas chegam a R$ 34 bilhões, fora os R$ 6 bilhões de propinas! E que dizer do desrespeito sistemático à Lei de Responsabilidade Fiscal? É prova de imprudência no uso do dinheiro público. É preciso reavivar a memória do povo, a cada instante, para mostrar que este ajuste violento não corresponde ao que foi pregado pelo PSDB, não é “o que o Aécio faria”. O ajuste vai cair nos ombros da população. O aumento de impostos pega todos, empresários e consumidores, desemprego e reajustes salariais abaixo da inflação pegam os trabalhadores. A alta das taxas de juros em doses excessivas aumenta a dívida pública e dificulta o próprio ajuste. Essas medidas podem eventualmente controlar a inflação, mas reduzem a massa salarial e diminuem o consumo. Como o governo não corta despesas, a retomada do crescimento ­ se houver ­ terá sido conseguida a
enorme custo para o povo.

O refrão das oposições deve ser: chegamos a tais medidas e ao descalabro atual porque os governos lulopetistas foram irresponsáveis, não se preocuparam em controlar o gasto público e enganaram o povo, enveredando pela megalomania. Os royalties do pré-­sal, diziam, vão resolver os problemas da educação, faremos ao mesmo tempo o trem-­bala, a transposição do São Francisco, a Norte­-Sul e a Transnordestina, sem falar nos 800 aeroportos! Concessão de serviço público é coisa de vende­pátria neoliberal. Daremos empréstimos no Fies e no Minha Casa, Minha Vida, as bolsas acomodarão os miseráveis e o BNDES dará subsídios em abundância aos empresários. O Tesouro Nacional pagará a farra.

Tanto pior, melhor? Não. Anotada e registrada a responsabilidade política do petismo, as oposições, em particular o PSDB, têm compromissos com a Nação. Nada justifica arruinar ainda mais o futuro, votando pela derrubada do fator previdenciário. Nada explica apoiar aumentos de gasto que no futuro serão pagos com mais impostos, mais inflação e mais ajustes. Em suma, a oposição deve criticar as políticas petistas, e não se confundir com elas. Não deve, porém, votar contra os interesses da Nação.

Espera-­se mais das oposições. Espera-­se que apresentem sua visão de futuro, apontando um rumo ao País. Espera­-se que se comprometam com a construção de uma economia de baixo carbono, impulsionada pela inovação, regida por regras claras e estáveis, com agências regulatórias independentes, melhor e mais integrada ao mundo e às cadeias globais de valor. Espera­se que defendam a reindustrialização do País, sem hesitar na crítica a políticas canhestras de conteúdo nacional que, sob a pretensão enganosa de estimular a produção local, acabam por isolar o Brasil e condená­-lo à obsolescência tecnológica. Espera­se que façam da educação não um slogan, mas de fato uma prioridade do Estado e da sociedade; que tenham a coragem de dizer que, embora avançando, o Brasil está ficando para trás em relação a países comparáveis ao nosso; que diante da sombra que esse quadro projeta sobre o futuro do País não receiem enfrentar dogmas e pressões corporativas que dificultam reformas e inovações indispensáveis a um salto de qualidade em matéria de educação.

Espera-­se das oposições que sejam progressistas também no campo comportamental: que não defendam a redução da maioridade penal, mas sim a extensão da pena dos menores infratores em dependências que sejam condizentes com a dignidade humana; que apoiem como legítimo e justo o casamento entre pessoas do mesmo sexo; que não fujam ao debate sobre as drogas e não temam proclamar que o encarceramento dos usuários é parte do problema, e não da solução; que sejam assertivas na luta pela igualdade de gênero e contra o preconceito e a discriminação racial, com o uso adequado de cotas e demais medidas compensatórias; e que não aceitem retrocessos legais na questão das terras indígenas.

Espera­-se das oposições, sobretudo, que reafirmem seus valores democráticos. Que digam, em alto e bom som, ser possível e necessário atuar contra a deliberada violação de direitos humanos, principalmente em países vizinhos, sem com isso ferir o princípio da não intervenção.

Da mesma maneira, espera-­se que reiterem não ter o propósito antidemocrático de derrubar governos, mas tampouco o temor de cumprir seus deveres constitucionais, se os fatos e a lei assim o impuserem.

Fernando Henrique Cardoso é sociólogo e foi presidente da República

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05jul

O avanço irrefreável da Lava Jato desloca o centro de poder de Brasília para Curitiba

Thiago Bronzatto, Leandro Loyola e Diego Escosteguy – Época

Nas noites dos últimos dias, o juiz federal Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, após botar os filhos para dormir e checar os últimos e-mails do dia, dedicava-se, quando ainda tinha forças, à leitura de uma coletânea de artigos sobre os 20 anos da Operação Mãos Limpas. A megainvestigação logrou o que parecia impossível: expurgar do Estado italiano organizações mafiosas centenárias. Os acertos – e os erros – dos juízes italianos ajudavam Moro a refletir sobre as melhores estratégias para conduzir a Operação Lava Jato. Como fechar os casos ainda em aberto e, ademais, como avançar naqueles que se avizinham rapidamente? Nas mesmas noites, não muito longe da casa do juiz, mas no frio da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, para onde fora transferido, dividindo cela com o doleiro Alberto Youssef, Nestor Cerveró, o ex-diretor internacional da Petrobras condenado a cinco anos de prisão por Moro, tinha ataques de pânico. Pressionado pela família, especialmente pelo filho, Cerveró cedeu. Resolveu contar o que sabe, como apostavam Moro e os procuradores da força-tarefa da Lava Jato. E Cerveró sabe muito.

Cerveró chamou os procuradores e, à revelia de seu advogado, começou a negociar os termos para se tornar o 20º delator da Lava Jato. Segundo políticos, empresários, investigadores e lobistas da Petrobras, somente duas pessoas podem esclarecer, entre outros contratos inexplicáveis na Área Internacional, a infame operação de compra da Refinaria de Pasadena, há quase dez anos. Nela, a Petrobras perdeu cerca de US$ 800 milhões. Uma é o operador Fernando Baiano, ligado ao PMDB e que atuava em parceria com Cerveró. Baiano está preso. Ele, porém, não exibe nenhum sinal de que pode vir a falar. A outra pessoa é o próprio Cerveró.

De acordo com essas fontes, ouvidas por ÉPOCA nos últimos anos e, também, nos últimos dias, Cerveró, se falar o que sabe, sem esconder nenhum fato, pode causar um estrago político devastador, ainda mais considerando-se o acúmulo incessante de provas da Lava Jato nas semanas recentes. Tanto Baiano quanto Cerveró confidenciaram – e não agora – a essas fontes que a operação de Pasadena além de outras na Diretoria Internacional beneficiaram o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, parlamentares do PT e até o empresário José Carlos Bumlai, um dos melhores amigos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em miúdos: beneficiaram todos aqueles que o indicaram ao cargo, como já se comprovou que era a prática nas demais diretorias. Bumlai, que frequentava a intimidade do petista, falava em nome de Lula durante o segundo mandato do petista. E tinha relações estreitas com o grupo Schain, que obteve contratos na Petrobras com a ajuda de Cerveró. Todos os citados sempre negaram qualquer relação imprópria com Cerveró.

Edson Ribeiro, o advogado de Cerveró, chegou a Curitiba na quinta-feira, disposto a fazer de tudo para demovê-lo da delação. O advogado disse a Cerveró ter certeza de que os executivos da Odebrecht, também presos na Lava Jato, conseguirão decisões judiciais favoráveis no recesso do Judiciário, daqui a alguns dias, seja no Superior Tribunal de Justiça, seja no Supremo Tribunal Federal. Se gente como Marcelo Odebrecht sair da cadeia, raciocina o advogado, outros sairão em seguida, como Cerveró. Até a noite da sexta-feira, os argumentos do advogado não foram suficientes para convencer Cerveró. Ele continua negociando os termos da delação com os procuradores. E demonstra uma mágoa especial pela presidente Dilma Rousseff. Sente-se abandonado por ela – que, como presidente do Conselho de Administração da Petrobras, aprovou a compra da refinaria de Pasadena. Em suas defesas entregues às autoridades, Cerveró alega que a responsabilidade pelo investimento em Pasadena é do Conselho de Administração da estatal. Ou seja, de Dilma.

A iminência da delação de Cerveró, decidida nos gabinetes e nas celas de Curitiba, revela como, no Brasil de 2015, o poder sobre os rumos da nação deslocou-se, momentaneamente, para a capital do Paraná. Se levada a cabo, a delação de Cerveró terá impacto em gente do calibre de Lula e Dilma. Por isso, um rastilho silencioso de pólvora – e pânico – acendeu-se até Brasília. Políticos e empresários poderosos ficam à mercê, mais uma vez, como acontece desde outubro, com as delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, de fatos sobre os quais eles não têm o menor controle – e, muitas vezes, nem sequer compreendem.

Essa mudança, ainda que temporária, nas regras do jogo, no controle da situação, explica parte das falas e ações destemperadas de políticos experientes, como Lula, ou até aqui cautelosos com o verbo, como Dilma. A combinação de crises pela qual passa o Brasil hoje converge, cotidianamente, para Curitiba. Os rumos das principais decisões políticas neste momento definem-se, mesmo com uma economia malparada e um governo anêmico, pelo que acontece na Operação Lava Jato. A sucessão de provas, de delações, as imagens quase semanais de tesoureiros e executivos sendo presos pela polícia sobrepõem-se a qualquer processo político e econômico em Brasília. Por uma razão simples: as decisões de Curitiba põem em risco a sobrevivência dos principais partidos e políticos do Brasil. O mesmo vale para as principais empreiteiras do país.

Nenhum gabinete, portanto, concentra tanto poder neste momento no Brasil quanto aquele no 2o andar na Avenida Anita Garibaldi, 888. É de lá que despacha Sergio Moro, o cérebro e centro moral da Lava Jato. A Operação, na verdade, envolve dezenas de procuradores da República, delegados e agentes da PF, equipes na Procuradoria-Geral da República, em Brasília, além do ministro do Supremo Teori Zavascki. Todos têm poder para definir, em alguma medida, os rumos das centenas – isso, centenas – de casos de corrupção investigados na Lava Jato. Alguns casos tramitam em Brasília – aqueles que envolvem políticos com foro no Supremo. Mas a maioria fica em Curitiba e de lá não sai. Moro alia virtudes raríssimas para a missão: preparo jurídico, pensamento estratégico, inflexibilidade de princípios, coragem moral e disciplina de trabalho. Entra cedo, sai tarde e prossegue na lida mesmo de casa. Alguns dos procuradores da força-tarefa compartilham, em maior ou  menor grau, as mesmas características. Estudaram muito, trabalham sem parar e entendem que estão fazendo história.

Após mais de um ano de Lava Jato, já está claro que esses homens e mulheres – pelo tamanho dos presos, pela força das provas, pelos nomes envolvidos e pelo dinheiro recuperado – estão promovendo uma revolução na luta contra a grande corrupção no Brasil. O método, a estratégia e a disciplina para manter o foco nos alvos certos, como Cerveró ou Marcelo Odebrecht, demonstram que essa revolução, cujo acúmulo intenso de fatos desnorteia até o observador mais atento, irá longe. A partir das delações capitais de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, em outubro do ano passado, surgiu a obtenção de mais provas, como extratos bancários de contas em paraísos fiscais e a confissão dos demais envolvidos. O efeito cascata, irrefreável, parece destinado a parar apenas quando todos os envolvidos no petrolão, esse esquema que envolvia empresas inescrupulosas e políticos corruptos, estejam identificados e devidamente processados. É uma réstia de esperança para um povo que precisa, desesperadamente, acreditar novamente em seu sistema político.

Engana-se, porém, quem pensa que Moro ou os procuradores da Lava Jato tenham ganas de pegar Lula ou Dilma. Na visão deles, e que as provas de fato oferecem (até o momento), Lula e Dilma não eram chefes de uma organização criminosa. Não que ambos não tenham responsabilidade pela sustentação política do petrolão – pelo aval, no mínimo, tácito aos resultados de suas decisões fisiológicas, de distribuição irresponsável de cargos na Petrobras. Mas a decisão de distribuir diretorias da estatal não é crime. O petrolão é, pelo que as evidências apontam até o momento, um esquema horizontal, organizado entre empresários corruptores e funcionários públicos corruptos. Entre as duas partes, havia operadores de partidos políticos e doleiros. Todos ganhavam, especialmente os políticos dos partidos (PT, PMDB e PP, sobretudo) que controlavam os cargos. Não havia chefes. Havia apenas cúmplices na roubalheira.

Há muitas novidades, no entanto, a caminho. Nestor Cerveró, o quase certo 20º delator, trará apenas parte delas. A 16ª fase da Lava Jato não tarda. E ela será decidida em Curitiba, para desespero do poder em Brasília.

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