Lei desrespeita adágio “in vino veritas”

Contraponto

Dias atrás, o governador Beto Richa sancionou projeto de lei que criou a Rota do Vinho no Paraná. Beto certamente não deve ter lido o que assinou, pois o projeto apresentado pelos deputados Maria Victoria e Chico Brasileiro não contempla a totalidade dos municípios paranaenses em que são elaborados vinhos finos e de mesa.

A Lei 19.151/17 relaciona 36 municípios produtores, mas faltam 12, entre eles Quatro Barras e Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.

Mais: Maria Victória esqueceu-se de incluir Marialva, o maior produtor de uvas do Paraná. Notem que ela é de Maringá, município vizinho. E Chico Brasileiro não mencionou Foz do Iguaçu – cidade que o elegeu prefeito em 2016 –  onde funciona uma vinícola.

Produtores de vinho, reunidos em torno da Vinopar (Associação dos Vitivinicultores do Paraná),  já se movimentam para que a lei seja alterada.

Num latim torto: In vino non veritas!

Fanini, longa manus de Richa, diz juíza

Como o Contraponto vinha antecipando há semanas, Maurício Fanini, o ex-diretor da Educação que arquitetou o plano de desvio de verbas em conjunto com o dono da Construtora Valor, fez mesmo longa e minuciosa delação ao Ministério Público Federal (MPF). Não só contou detalhes como também citou diretamente o governador Beto Richa que, segundo Fanini, supostamente teria conhecimento do esquema que deu origem à Operação Quadro Negro.

A delação foi confirmada pelo advogado Omar Geha, ao pedir a revogação da prisão de Fanini. A juíza da 9.ª Vara Criminar de Curitiba, Danielle Comar, negou a soltura, mas em razão dos argumentos usados pelo advogado para justificar a soltura de Fanini, segundo os quais seu cliente já está na fase de negociação dos anexos e apresentação de provas junto ao Ministério Público Federal, decidiu que o caso passe agora a ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro ao qual responde o governador.

A juíza viu indícios de que Maurício Fanini atuava como longa manus de Richa – isto é, que era um cumpridor de ordens do governador e que os elementos apurados até agora mostram “relevância e relação destes fatos com o Chefe do Executivo Estadual”.

Em agosto passado, a juíza já havia paralisado a tramitação do processo na primeira instância em razão de outras citações a reus com foro privilegiado em tribunais superiores. Na mesma ocasião, concedeu liberdade ao dono da Valor, Eduardo Lopes de Souza, que se encontrava preso há mais de um ano no Complexo Médico Penal, em Piraquara, e o autorizou a se mudar para Cuiabá (MT). 

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