Réu da Operação Carne Fraca diz que chefe do esquema era mantido no cargo por políticos do PMDB do Paraná

Por RPC Curitiba

Réu na operação Carne Fraca fala em propina a deputado federal Sérgio Souza (PMDB)

Réu na operação Carne Fraca fala em propina a deputado federal Sérgio Souza (PMDB)

O médico veterinário Flávio Cassou afirmou à Justiça Federal que o ex-superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná era mantido no cargo com a ajuda de políticos do PMDB do Paraná. Ele foi ouvido como réu em um dos processos derivados da Operação Carne Fraca.

Cassou é ligado ao Grupo JBS e foi preso em março deste ano, quando a operação foi deflagrada. O trabalho policial apurou o pagamento de propina por parte de frigoríficos a fiscais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Segundo as investigações, um dos chefes do esquema era o ex-superintendente do Mapa no Paraná, Daniel Gonçalves Filho. Ele também foi preso em março, junto com Cassou. Os dois seguem detidos.

O interrogatório de Cassou ocorreu na sexta-feira (1º) e foi disponibilizado sob sigilo no sistema da Justiça Federal na segunda-feira (4). A RPC teve acesso às imagens. Nos vídeos, ele diz que era o responsável por pagar as propinas da JBS à Daniel Gonçalves Filho. O médico veterinário afirmou que os valores pagos no esquema foram discutidos entre um diretor da empresa e o ex-superintendente do Mapa.

Conforme Cassou, em uma das vezes que pagou a propina, ouviu de Daniel que parte da quantia seria repassada ao PMDB. “Tinha uma estrutura política de sustentação dentro do ministério, era o PMDB. Vários políticos. E ele tinha uma situação de ele pegava, passava pros políticos, o que ele fazia eu não sei. Mas normalmente ele passava para políticos”, contou.

Ele disse que não sabia quais políticos recebiam o dinheiro, exceto um: o deputado federal Sérgio Souza (PMDB-PR). O médico disse que chegou a pagar propina para Daniel na garagem de um prédio em que o deputado teria um escritório, no Centro de Curitiba. Segundo ele, em outras oportunidades, subiu até o escritório, mas que nunca viu o parlamentar receber, nem falou de propina com ele.

Juiz: Mas não ficou muito claro pra mim. Porque o senhor entregou ou não entregou no gabinete. Entregou pro Daniel…

  • Cassou: Eu me encontrava com o Daniel lá.
  • Juiz: Dentro do gabinete…
  • Cassou: Não.
  • Juiz: … na sala dele?
  • Cassou: Nós nos encontramos no estacionamento. Tem um estacionamento.
  • Juiz: É um prédio ou uma casa?
  • Cassou: É um prédio.
  • 9:48
  • Juiz: Aí o senhor entregava pra ele?
  • Cassou: Entregava pro Daniel, muitas vezes eu subia junto, muitas vezes eu entregava, saía e ia embora.
  • Juiz: Mas o senhor viu o Daniel entregar pro deputado?
  • Cassou: Eu nunca vi ele entregar pra ele, mas possivelmente sim.
  • Juiz: Ele falou que entregava?
  • Cassou: Ele disse que dava pro, pro…
  • Juiz: Pra esse deputado?
  • Cassou: Pra esse deputado. E não era só pra esse. Acho que tinha mais também.

Por ter citado um político com direito a prerrogativa de foro, o depoimento de Cassou será enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Já Daniel Gonçalves FIlho aguarda a homologação de um acordo de delação premiada, que firmou com a Procuradoria-Geral da República (PGR). A defesa dele afirmou que vai se manifestar no processo, no momento adequado.

Procurado, o deputado Sérgio Souza disse que as informações de Cassou não procedem e que está tomando as providências cabíveis para esclarecer os fatos.

A Executiva do PMDB no Paraná declarou que não recebeu qualquer recurso das pessoas mencionadas por Flávio Cassou, que não conhece e nunca ouviu falar dele e que, se os fatos relatados pelo veterinário forem verdadedeis, eles ocorreram antes da atual gestão do partido no estado.

A JBS não quis se manifestar sobre o depoimento.

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