Contratos firmados durante sete anos pelo campus da UTFPR em Cornélio Procópio tinham irregularidades, diz PF

Coletiva de imprensa sobre a Operação 14 Bis é concedida nesta terça-feira (13) (Foto: PF/Divulgação)

Coletiva de imprensa sobre a Operação 14 Bis é concedida nesta terça-feira (13) (Foto: PF/Divulgação)

A Polícia Federal (PF) descobriu que todos os contratos oriundos de licitações firmados entre o campus de Cornélio Procópio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), no norte do Paraná, e empresas que prestaram serviços de manutenção, entre 2008 e 2015, foram fraudados. As investigações fazem parte da Operação 14 Bis, deflagrada na manhã desta terça-feira (13).

O delegado-chefe da Polícia Federal em Londrina, no norte do Paraná, Nilson Antunes da Silva, informou que, em dois anos e meio de investigações, se identificou 20 contratos irregulares. Ele ainda detalhou que o ex-diretor do campus privilegiava empresas alvos desta operação.

“Ele direcionava as licitações para essas empresas, que são três ou quatro, e supervalorizava os contratos. Eram contratos diversos, envolvia limpeza, mão-de-obra, manutenção do prédio, fornecimento de peças e combustível. Descobrimos nesses dois anos e meio de investigações, que todos os contratos da universidade tinham fraude”, pontuou o delegado-chefe.

A operação apura o desvio de cerca de R$ 5,7 milhões de recursos públicos no campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) em Cornélio Procópio. A PF prendeu 20 pessoas temporariamente e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão. Um mandado de busca e apreensão não foi cumprido. Além disso, também foram sequestrados bens dos investigados.

Nesta terça-feira, foram apreendidos três barcos, carros de luxo, joias, 27 mil dólares em espécie, e documentos.

A investigação começou a partir de investigações feitas por uma auditoria interna realizada pela própria instituição de ensino. Após a conclusão do procedimento administrativo, o ex-diretor-geral do campus Devanil Antônio Francisco e o ex-diretor de Administração e Planejamento da unidade Sandro Rogério de Almeida foram exonerados dos cargos. Os dois foram presos na operação.

Núcleos criminosos

A PF descobriu a participação de dois núcleos criminosos que atuavam no esquema. Conforme o delegado-chefe Nilson Antunes da Silva, o primeiro núcleo era composto por três ou quatro empresas de Cornélio Procópio que atuavam diretamente no campus. Essas empresas sempre ganhavam as licitações de serviços.

O segundo núcleo era composto por outras quatro empresas de pequeno porte, ligadas aos empresários de Cornélio Procópio. A PF informou que esses empreendimentos, boa parte deles em nome de laranjas, participavam de licitações em órgãos públicos federais e sempre venciam.

“Constatamos que um grupo de empresários de Cornélio, com o auxilio do ex-diretor da instituição, obtinha privilégios nos procedimentos, prejudicando a universidade. Dois desses empresários tinham empresas de fachada para ganhar licitações em órgãos públicos federais Quando uma não ganhava, a outra vencia o procedimento”, detalhou o delegado-chefe.

Nesta operação, além das prisões do ex-diretores da UTFPR em Cornélio Procópio, a PF também prendeu empresários e 11 laranjas do esquema de corrupção.

Delegado chefe das delegacias especializadas e ex-secretário de Cabral são presos na Lava Jato no Rio

Operação é realizada para cumprir 16 mandados de prisão, temporárias e preventivas. Esquema que fraudava fornecimento de pães para presídios do estado desviou pelo menos R$ 73 milhões dos cofres públicos.

Lava Jato mira esquema de superfaturamento no fornecimento de pães para presos; ex-secretário de Sérgio Cabral foi preso

Lava Jato mira esquema de superfaturamento no fornecimento de pães para presos; ex-secretário de Sérgio Cabral foi preso

O delegado Marcelo Martins, atual diretor-geral de Polícia Especializada, e o ex-secretário de Administração Penitenciária da gestão Sérgio Cabral, coronel César Rubens Monteiro de Carvalho, foram presos em mais um desdobramento da Operação Lava Jato no Rio na manhã desta terça-feira (13).

Batizada de “Pão Nosso”, a operação é realizada para cumprir 16 mandados de prisão temporárias e preventivas. Segundo as investigações, os suspeitos teriam desviado, pelo menos, R$ 73 milhões dos cofres públicos com um esquema de superfaturamento e fraude no fornecimento de pão para os presos das cadeias estaduais.

Além de Martins e do ex-secretário, outras cinco pessoas tinham sido presas até a última atualização da reportagem: Sérgio Roberto, Gabriela Paula, Evandro Lima, Delisa de Sá e Carlos Mateus Martins.

É o quinto secretário do governo Cabral preso em operação da Polícia Federal. Em novembro de 2016, a Calicute prendeu, além do ex-governador, o ex-secretário de governo Wilson Carlos e o ex-secretário de obras Hudson Braga. Na operação Fatura Exposta, em abril de 2017, foi preso o ex-secretário de Saúde Sérgio Côrtes. Em novembro, o ex-chefe da Casa Civil de Cabral Régis Fichtner foi preso na operação C’est Fini.

O esquema

PF prende Marcelo Martins, delegado-chefe das delegacias especializadas

PF prende Marcelo Martins, delegado-chefe das delegacias especializadas

As irregularidades envolvem o funcionamento de padarias dentro do complexo de Bangu. A fase da operação desencadeada nesta terça-feira foi feita a partir de reportagens exibidas pelo jornalismo da TV Globo.

A fraude foi descoberta em maio do ano passado, quando uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou que os contribuintes pagavam duas vezes pelo pão fornecido aos presos: na compra dos ingredientes e pelos pães prontos. Um contrato era para o fornecimento do pão, e outro, de valor ainda maior, para comprar os ingredientes.

De acordo com a investigação, uma organização sem fins lucrativos chamada Iniciativa Primus instalou máquinas para a fabricação de pães dentro do presídio, usou a mão de obra dos presos, energia elétrica, água, ingredientes fornecidos pelo estado – ainda cobrava pelo pãozinho.

Delegado Marcelo Martins foi preso na manhã desta terça-feira em desdobramento da Lava Jato no Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

Delegado Marcelo Martins foi preso na manhã desta terça-feira em desdobramento da Lava Jato no Rio (Foto: Reprodução / TV Globo)

O envolvimento do delegado Marcelo Martins no esquema teria acontecido em um período em que ele ainda não ocupava o cargo de diretor das delegacias especializadas. Na época dos crimes, Martins era sócio da empresa Finder Executive Consulting Assessoria, suspeita de atos de lavagem de dinheiro em prol da organização criminosa chefiada por Sérgio Cabral.

Ainda segundo o MP, o pai do delegado também recebia vantagens do grupo, pois era sócio de uma casa de câmbio apontada como responsável por lavar dinheiro do esquema criminoso. Essa é a primeira vez que um policial civil é preso na Lava Jato.

Ex-secretário de administração penitenciária, coronel César Rubens Monteiro de Carvalho foi preso na manhã desta terça (Foto: Reprodução / TV Globo)

Ex-secretário de administração penitenciária, coronel César Rubens Monteiro de Carvalho foi preso na manhã desta terça (Foto: Reprodução / TV Globo)

Crescimento de patrimônio

Um fator que chamou a atenção dos investigadores foi o crescimento do patrimônio de César Rubens Monteiro de Carvalho, que aumentou em 10 vezes no período em que era secretário da Seap. Em consulta ao Cadastro de Embarcações da Marinha do Brasil, o Ministério Público Federal constatou que ele é proprietário de sete embarcações.

Também há mandado contra o empresário Felipe Paiva, sócio oculto da Iniciativa Primus. Ele também foi dono da empresa anterior que fazia o mesmo trabalho com a Seap, a Induspan. Ele ficou de 2001 a 2015 fornecendo pão para o governo. Segundo os investigadores, ele está atualmente em Portugal.

Agentes estão em Bangu cumprindo mandados de busca e apreensão (Foto: Bruno Albernaz / G1)

Agentes estão em Bangu cumprindo mandados de busca e apreensão (Foto: Bruno Albernaz / G1)

Movimento de R$ 73 milhões

Além da PF, atuam na ação agentes do Ministério Público Federal (MPF) e também o Ministério Público Estadual (MP-RJ) que investigam, respectivamente, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção, além de peculato (se apropriar do dinheiro público) e fraude de licitação.

De acordo com o MPF, a fraude no fornecimento de pão para os presídios movimentou R$ 73 milhões dos cofres públicos.

O projeto inicial previa a profissionalização dos presos, onde a Seap contratava uma organização sem fins lucrativos para gerir um projeto de padaria. O objetivo do programa era incentivar os presos que quisessem trabalhar na padaria.

A cada três dias de trabalho, eles poderiam ter a redução de um dia na pena. Mas o trabalho de auditoria detectou que o controle era falho. A suspeita é de que o benefício foi concedido até a detentos que não trabalharam.

O TCE ainda constatou a ausência da folha de presença. Assim, não há como comprovar que o serviço foi realmente prestado pelos presos.

Agentes da Polícia Federal cercam casa em Bangu (Foto: Bruno Albernaz / G1)

Agentes da Polícia Federal cercam casa em Bangu.

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