Opinião

* Bibiana Orsi

No feriado dia do trabalhador enquanto muitas famílias descansam e gozam da companhia de seus entes queridos, outras famílias irão receber uma bandeira do Brasil milimetricamente dobrada em sinal de bravura e honra.

Colegas prestarão homenagens, os filhos chorarão a perda de seu pai herói. A viúva irá se arrepender pelo carinho não demonstrado na correria do cotidiano ao mesmo tempo que pensará na incerteza do futuro dos filhos. Essa cena não será vista na TV; não será narrada nas rádios; não irá viralizar nas redes sociais: foi só mais um policial morto em serviço – isso é rotina no nosso País.

Se 100 médicos morressem em serviço em um ano seria um choque mundial. Se 200 professores morressem por exercerem à docência isso seria um fato de repercussão global. Se apenas 10 representantes políticos fossem mortos pelo exercício de suas atividades toda a máquina estatal seria mobilizada para responder a tamanha brutalidade. Nos últimos 20 anos a média de mortes/ano de policiais no Brasil é de 500 trabalhadores – isso não é estatística, isso é um genocídio.

500 mortos POR ANO e atrás de cada uniforme existia um trabalhador.

Os heroicos esforços desses homens e mulheres mantem o mínimo de civilidade necessária para nossa violenta sociedade continuar funcionando. A mesma sociedade que não bradará salvos de direitos humanos pelos trabalhadores policiais que certamente morrerão também no primeiro de maio.

As instituições não existem por si. Quando falamos das grandes apreensões de drogas e armas, de prisões de quadrilhas, das operações cinematográficas, dos novos rumos traçados por operações como a midiática Lava Jato, muitas vezes não temos noção de todos os trabalhadores que fazem tudo isso ser possível, assim como não temos noção do preço pago por eles.

A segurança é nosso trabalho, nossa luta é buscar dignidade e novas perspectivas para nossos policiais. Nosso sonho é construir um país onde 500 mortes de policiais por ano não seja algo aceitável.

Feliz dia do Trabalhador para você que veste com orgulho e coragem todos os dias seu uniforme.

* BIBIANA ORSI

Presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Paraná – Foz do Iguaçu

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