Arquivo mensais:abril 2018

Indústria da raiva ainda vai produzir um cadáver

Josias de Souza

Há um cheiro de enxofre no ar. É a emanação da morte. O odor cresce na proporção direta da diminuição da sensatez. Até outro dia, o ódio vadiava pelas redes sociais. Agora, circula pelas ruas à procura de encrenca. A raiva tornou-se um banal instrumento político. Há no seu caminho um defunto. Ele flutua sobre a conjuntura como um fantasma prestes a existir. A morte do primeiro morto ainda pode ser evitada. Mas é preciso que alguém ajude a sorte.

Concebida como alternativa civilizatória às guerras, a política subverteu-se no Brasil. Em vez de oferecer esperança, dedica-se a industrializar a raiva. Produz choques e enfrentamentos —uma brigalhada entre partidos enlameados, políticos desmoralizados, grupos e grupelhos ensandecidos. É nesse contexto que a notícia sobre a primeira morte bate à porta das redações como um fato que deseja ardorosamente acontecer.

O primeiro morto vagueia como uma suposição irrefreável. Por ora, ele vai escapando por pouco. Livrou-se da fatalidade quando sindicalistas enfurecidos reagirem mal às suas palavras, empurrando-o da calçada defronte do Instituto Lula em direção à rua, até cair e bater a cabeça no parachoque de um caminhão. Desviou dos tiros disparados contra os ônibus da caravana de Lula nos fundões do Paraná. Foi parar no hospital após ser baleado por atiradores filmados nas imediações do acampamento petista de Curitiba (assista no vídeo lá do alto).

Construir uma democracia supõe saber distinguir diferenças. Mas os políticos não ajudam. Estão cada vez mais a cara esculpida e escarrada uns dos outros. Todos os gatunos ficaram ainda mais pardos depois que a Lava Jato transformou a política em mais um ramo do crime organizado. Exacerbaram-se os extremos. Assanhou-se sobretudo a extrema insensatez.

Depois de sentar-se à mesa com Renans, Valdemares, Sarneys e outros azares, o PT tenta virar a mesa para fugir da cadeia pela esquerda. Por enquanto, conseguiu apenas transformar Gilmar Mendes em herói da resistência. De resto, o petismo virou cabo eleitoral da direita paleolítica personificada em Bolsonaro.

Esquerdistas, direitistas e seus devotos ainda não notaram. Mas para a maioria dos brasileiros o problema não é de esquerda ou de direita. O problema é que, em qualquer governo, tem sempre meia dúzia roubando em cima os recursos que fazem falta para milhões condenados a sofrer por baixo com serviços públicos de quinta categoria.

Bons tempos aqueles em que o Faroeste era apenas no cinema. A longo prazo, estaremos todos mortos. Mas o ideal é esquecer que a morte existe. E torcer para que ela também esqueça da nossa existência. Essa mania de provocar a morte, de desejar a morte, de planejar a morte em reuniões de executivas partidárias… Isso é coisa que só existe em países doentes como o Brasil.

A indústria da raiva se equipa para produzir um cadáver. Ainda dá tempo de salvar o primeiro morto. Mas as lideranças políticas brasileiras precisariam abandonar sua vocação para o velório. Dissemina-se como nunca a tese de que os políticos são farinha do mesmo pacote. Porém…

A igualdade absoluta, como se sabe, é uma impossibilidade genética. Deve existir na política alguém capaz de esboçar uma reação. Mas são sobreviventes tão pouco militantes que a plateia tem vontade de enviar-lhes coroas de flores e atirar-lhes na cara a última pá de cal.

 

Dança das cadeiras

Ex-vereador Gessani da Silva (PP) assumiu a chefia do escritório da Casa Civil em Foz do Iguaçu no lugar do Phelipe Mansur (PSDB). No ninho tucano nativo a conversa é que o Mansur pediu para sair.

PITACO: Então, tá.

PITACO II: Lembrando que o Gessani foi um dos conduzidos pela PF na sexta fase da Pecúlio/Nipoti. Junto foi o Vitorassi. Gessani virou réu no processo, Vitorassi escapou.

Ivone Müller deve ceder lugar a Elizabete no comando da regional de  Educação.

Na educação trava-se uma queda de braço para substituir a Ivone Müller no núcleo regional de Educação. A pessoa indicada é a professora Elizabete, a “Betinha”, esposa do pastor Isaías da igreja Assembleia de Deus.  Nos dois casos o decreto ainda não saiu, mas as mudanças são dadas como certas.
Esse jogo das cadeiras tem o dedo da governadora Cida (Belezura) Borghetti que vem fazendo uma espécie de desmonte parcial do que foi o governo do Beto Richa. Cida, que é ligeira no gatilho (consulta tudo com o Ricardo) segue nomeando o pessoal de sua confiança, ou seja: é PP, tá dentro. Agora, se for PSD, ou PSC, passa longe da caneta da belezura.

PS: A belezura pode até não se eleger governadora, mas uma coisa é certa: nunca na história do Paraná uma candidata apareceu tantas vezes no blog do escriba do Palácio Iguaçu. Dose para elefante. Argh!

A SEMANA QUE PASSOU FOI PRÓDIGA PARA OS PARAQUEDISTAS

Deputado federal Alex Canziani do PTB do fraldão e do Roberto Jefferson bateu ponto na terrinha na semana finda. Falou a rádio Cultura do Dr Bozó. Época de eleição, época de receber os paraquedistas que só dão o ar da graça nesses períodos. É a velha tática de sempre. E o prefeito Chico Brasileiro teria postulado seu apoio político ao homem do Roberto Jefferson. Canziani sonha com voos mais altos, sua meta agora é o senado.  Estão abertas duas vagas, uma deve ir para o Beto Richa. A outra só o Padim Ciço para descobrir.

ALVARO DIAS TAMBÉM VEIO

Outro figurão que nos visitou foi o Alvaro Dias que entrou numas de ser presidente da República pelo Podemos (ex-PTN) que aqui na terrinha é presidido pelo vereador Jahnke. Na foto o ilustre político em companhia do vereador Jahnke e sua entourage, Marcelo Marcolino Moura e o Landerson Travenssoli, ambos assessores do edil.
Vamos repetir: Travenssoli dia desses esteve no fórum de Justiça depois de ser denunciado por homofobia praticada no interior da Câmara Municipal. Comprometeu-se junto ao MP a pagar um monte de cestas básicas. Agora faz campanha para o Alvaro. Isso é política.

A UNILA NUNCA ME SURPREENDEU

Desde que a Unila se instalou na cidade, com metas faraônicas, tipo dez mil alunos em poucos anos, sede de 500 milhões de reais, e o escambau… a antena do Língua, ligou. Era muita promessa para ser verdade. De lá prá cá, o que vem acontecendo é uma série de trapalhadas. A recente decisão do juiz federal Roni Ferreira condenando a instituição a pagar mais de 30 milhões de reais a duas construtoras falam por si só. Mais uma invenção petista que micou. Demorô!

Ênio Verri na lista da Lava Jato

O empresário Léo Pinheiro colocou o deputado federal Ênio Verri, do PT de Maringá, na relação da Lava Jato, ao afirmar que Ênio recebeu R$ 150 mil da Construtora OAS e R$ 100 mil da UTC Engenharia para sua campanha para prefeito de Maringá em 2012. É preciso ressaltar que a conta da campanha de Ênio foi aprovada por unanimidade pela Justiça Eleitoral. As informações são de Angelo Rigon no Maringapost.

PRF apreende mais de 230 quilos de cocaína em fundo falso de caminhão na BR-277

O motorista e um auxiliar foram presos pela polícia no fim da tarde desta sexta-feira (27).

PRF apreende mais de 150 quilos de cocaína

PRF apreende mais de 150 quilos de cocaína

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 238,5 quilos de cocaína no fundo falso de um caminhão no fim da tarde desta sexta-feira (27), na BR-277, em Santa Terezinha de Itaipu, no oeste do Paraná.

Correção: Inicialmente, a PRF informou que foram encontrados mais de 150 quilos da droga, mas ainda estava fazendo a pesagem do total apreendido.

O motorista, de 52 anos, e um auxiliar, de 42 anos, foram presos e levados para a Polícia Federal (PF). De acordo com depoimento do motorista, o caminhão saiu de Foz do Iguaçu, também no oeste do estado, e tinha como destino Santa Adélia (SP).

A abordagem ocorreu no posto de fiscalização da PRF. Os policiais disseram que desconfiaram de alterações feitas no espaço de carga do caminhão, que transportava ácido bórico, e encontraram o fundo falso.

Conforme a PRF, havia um rastreador colado a um dos 216 tabletes com a droga.

Com G1 PR

TST DERROTA O ATRASO E DERRUBA LIMINAR QUE RESTABELECIA CONTRIBUIÇÃO OBRIGATÓRIA

REVOGADA LIMINAR ATIVISTA QUE RESTAUROU DESCONTO PARA SINDICATO

O Palácio Iguaçu ficou mais perto da Lava Jato


Beto Richa e seu inferno astral

Pelo menos dois secretários do ex-governador Beto Richa que foram mantidos na administração de Cida Borghetti certamente serão brevemente chamados a dar explicações sobre sua eventual participação na coleta de R$ 2,5 milhões da Odebrecht que teriam feito em favor da campanha de reeleição de Richa em 2014. São eles os secretários do Planejamento, Juraci Barbosa, e Fernando Ghignone, da Administração, que foram tesoureiros do PSDB. A permanência deles coloca o Palácio Iguaçu mais perto da Operação Lava Jato.

A doação ilegal da empreiteira foi delatada pelo ex-executivo Benedicto Jr., que revelou que, para obter a concessão da PR-323  (obras de duplicação e posterior exploração do pedágio da rodovia ligando Maringá a Francisco Alves) a empreiteira teria contribuído com R$ 4,5 milhões, dos quais chegou a desembolsar R$ 2,5 milhões em três parcelas às vésperas do pleito daquele ano. Logo depois, a empresa abandonou o projeto por ter sido engolida pelo turbilhão da Lava Jato.

Quando surgiu a notícia, em abril de 2017, o então governador Beto Richa reagiu irritado: ele de nada sabia e o único que poderia responder sobre o assunto seria o tesoureiro do PSDB, Juraci Barbosa, já que todos os assuntos de financiamento das campanhas do PSDB são tratados pelos tesoureiros da legenda – o que incluia também Fernando Ghignone, que ocupava o cargo quando das campanhas de 2008 e 2010.

Agora, como Richa perdeu a prerrogativa de foro nos tribunas superiores, o ministro Og Fernandes, do STJ, baixou os autos do inquérito para a primeira instância para prosseguimento das investigações e para eventual ação penal, que passam a ser conduzidos pela força-tarefa da Lava Jato na Ministério Público Federal de Curitiba e pela 13.ª Vara Criminal, onde trabalha o juiz Sergio Moro.

Em junho de 2017, dois meses após após a divulgação da denúncia, Juraci e Ghignone foram promovidos à condição de secretários de estado e ganharam também foro privilegiado. O primeiro era presidente da Fomento Paraná e o segundo, da Sanepar. Viraram secretários do Planejamento e da Administração respectivamente. Eles negam ter recebido quaisquer doações ilegais para as campanhas de Richa.

Agora causam constrangimento ao governo Cida Borghetti, na medida em que a presença deles na administração coloca o Palácio Iguaçu mais perto da Lava Jato, literalmente. Poucas quadras separam o Palácio das sedes da Justiça Federal e do MPF, que já começaram a ser alimentados por documentos e gravações consideradas explosivas e que implicam diretamente outros servidores do governo anterior, mantidos por Cida, e, indiretamente, talvez o próprio ex-governador.

Do contraponto (Celso Nascimento).