Marco Aurélio dá liminar para soltar Eduardo Cunha

Ailton de Freitas


O ministro do STF Marco Aurélio Mello acaba de deferir uma liminar para libertar 
Eduardo Cunha.

O ex-presidente da Câmara, contudo, continuará preso em Curitiba.

Motivo: os advogados de Cunha, Pedro Ivo Velloso e Ticiano Figueiredo, conseguiram o habeas corpus para um dos dois casos em que o ex-deputado está condenado.

A  liminar concedida hoje por Marco Aurélio refere-se às investigações da Operação Manus, em que Cunha e Henrique Eduardo Alves foram condenados por atuar em favor de empreiteiras nas obras da Arena das Dunas, em Natal. As propinas neste caso somam R$ 11,5 milhões.

Cunha tem outra condenação por seu envolvimento em desvios em investimentos do FI-FGTS.

A “página virada” de Toffoli

Na sabatina de Dias Toffoli no Senado Federal em 2009, o então postulante ao cargo de ministro do STF afirmou que sua ligação com o PT “é uma página virada da história” e que no Supremo passaria a agir como “juiz da Nação”.

Em 2015, sobre quem acha que ele tem uma dívida com o PT por ter sido nomeado por Lula para a Corte, Toffoli disse à Veja que “é só um ignorante, um imbecil, um burro, um néscio para pensar dessa forma”.

De lá para cá, o ministro tomou, entre outras, as seguintes decisões:

– mandou soltar o ex-ministro petista Paulo Bernardo em junho de 2016, pulando duas instâncias (TRF e STJ);

– votou contra a prisão em segunda instância em outubro de 2016, dois meses após Lula ter sido indiciado pela PF no caso do triplex e mesmo tendo dito em fevereiro daquele ano que sempre teve consigo “que não era necessário aguardar o recurso especial” junto ao STJ “nem o extraordinário” junto ao STF.

– votou em maio de 2017 a favor da soltura de José Dirceu, seu ex-chefe na Casa Civil do governo Lula, que estava em prisão preventiva na Lava Jato desde agosto de 2015;

– votou em março de 2018 pelo impedimento da prisão de seu padrinho Lula até o dia 4 de abril;

– votou pela concessão do HC de Lula em 4 de abril;

– votou pela concessão do HC do ex-ministro petista Antonio Palocci em 11 de abril;

– votou em 24 de abril para tirar de Sergio Moro as menções da delação da Odebrecht a Lula que tratam do sítio de Atibaia e do Instituto Lula;

– votou, em 26 de junho, pela anulação de provas recolhidas pela Polícia Federal contra o casal petista Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo na busca realizada no apartamento funcional dela, no âmbito da Operação Custo Brasil;

– votou novamente, em 26 de junho, pela soltura de seu ex-chefe José Dirceu, condenado em segunda instância a 30 anos de prisão.

Este é Dias Toffoli, senhoras e senhores – o “juiz da nação”, que chama de “imbecil” quem considera ou desconfia de que sua ligação com o PT não é “uma página virada da história”.

O Antagonista

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