As história se repete, nem sempre como farsa

A vida prega peças. Não fosse pela triste tragédia que se abate sobre a família Richa, o caso poderia ser tratado com ironia. Mas alguns registros do passado voltam à tona para remeter ao presente imediato.

Um exemplo é a reprodução do texto ao lado. É trecho da delação prestada pelo ex-diretor da Educação Maurício Fanini que, diante dos boatos de que poderia ser preso a qualquer momento, correu para a casa do chefe Beto Richa para pedir socorro. Beto disse que pouco poderia fazer, para reverter a situação. Fanini tinha antes recebido algumas palavras de consolo do advogado que Richa lhe arranjara. Segundo advogado, ele não seria levado para Pinhais mas para o Regimento Coronel Dulcídio, sem algemas, e lá não ficaria mais do que dois dias.

Olha a coincidência: o “Coronel Dulcídio” é o lugar que hoje abriga o ex-governador, a mulher e o irmão já por tempo superior aos dois dias que se previa para Fanini – que, aliás, continua recolhido desde o ano passado.

Um áudio – desses tantos que vêm sendo vazados nos últimos dias e que você pode ouvir abaixo – contém outra ironia. Num determinado tempo do ano passado, Richa estava se considerando infernizado pelo Ministério Público e seus promotores. “São uma cambada de filhos da puta”, exclamava furibundo num diálogo, para em seguida lembrar que tinha mandado aumentar o orçamento do MP para permitir o pagamento “retroativo” do auxílio-alimentação e plano de saúde para todos os seus servidores.

Os mal-agradecidos do Ministério Público (Gaeco) é que foram buscar Beto Richa em casa para levá-lo, primeiro, primeiro a Pinhais e, depois, ao “Coronel Dulcídio”.

Com contraponto

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