Só a PF pode tirar caso Marielle do rumo do brejo

Quem mandou matar Marielle? E mais perguntas sem respostas

Um dia depois de afirmar que a polícia civil ofereceu “uma resposta importante” à sociedade na “elucidação de um crime bárbaro” como a execução da vereadora Marielle Fanco e seu motorista Anderson Gomes, o governador Wilson Witzel afastou do caso o delegado Giniton Lages. Ou seja: a “resposta” era cenográfica e a “elucidação” era ficcional.

Quando fez suas declarações categóricas, Witzel já sabia que as prisões dos supostos assassinos —os ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio Queiroz— representavam uma vírgula numa investigação que já dura um ano. Ao afastar o delegado titular do caso, o governador sinaliza que não enxerga no doutor Giniton a capacidade para conduzir a encrenca a um ponto final.

Armou-se uma pantomima para justificar a saída do delegado. Na versão de Witzel o tira Giniton foi convidado a estudar no estrangeiro. “Como ele está com a experiência adquirida e estamos com intercâmbio com a Itália exatamente para estudar máfia, os movimentos criminosos, ele vai fazer essa troca de experiência com a polícia italiana.”

Em privado, o delegado dá a entender que não pediu para trocar o caso Marielle pelo intercâmbio com a Itália. Em português claro: Giniton não trocou, foi trocado. Conforme já foi comentado aqui, a alegada “elucidação” do caso Marielle produziu mais dúvidas do que certezas. Considerando-se que está em curso uma investigação da investigação, resta concluir: só a Polícia Federal pode retirar esse inquérito do caminho do brejo.

Com Josias de Souza.

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