Dilma diz que Petrobras não pode atender ao “deus mercado”

Em nota divulgada neste domingo, a ex-presidente condenou a submissão do governo de Jair Bolsonaro à lógica da especulação financeira

Rafaela Felicciano/Metrópoles
RAFAELA FELICCIANO/METRÓPOLES

A ex-presidente Dilma Rousseff, em nota divulgada neste domingo (14/4), defendeu que a abertura de capital da Petrobras não pode ser pretexto para que a gestão da empresa seja submetida à lógica de curto prazo da especulação financeira. A ex-presidente defendeu um papel mais estratégico da empresa para o desenvolvimento do país e comentou o recuo no aumento de 5,7% no preço do diesel, anunciado na semana passada e impedido pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL).

“A questão não é recuar do aumento de 5,7%. É impedir que a lógica da gestão da Petrobras seja submetida à lógica de curto prazo da especulação financeira”, destacou a petista. “A abertura de capital não pode ser justificativa para tornar a empresa objeto da especulação financeira”, observou Dilma.

A decisão de Bolsonaro de adiar por mais alguns dias o reajuste no preço do diesel, horas depois de ter anunciado um aumento de 5,7%, na quinta-feira (11/4) jogou para baixo as ações da estatal no pré-mercado de Nova York e na B3, a Bolsa de São Paulo, na sexta-feira (12). As perdas se aceleraram depois que o presidente admitiu que determinou a suspensão do reajuste no diesel, atendendo a uma reivindicação de caminhoneiros que ameaçam com uma nova greve, como a que ocorreu durante o governo do ex-presidente Michel Temer.

A ex-presidente citou como exemplo as empresas petrolíferas chinesas, que tem capital aberto, ou seja, suas ações são comercializadas na bolsa de valores, mas são controladas por empresas chinesas de capital fechado.

“É interessante o exemplo da China, que tem pelo menos cinco grandes empresas de petróleo e usa suas subsidiárias – de capital aberto – no plano internacional, devidamente controladas por empresas chinesas de capital fechado”

“Se depender do desejo dos especuladores do mercado financeiro, os preços do diesel, da gasolina e do gás de cozinha subirão sem qualquer parcimônia e respeito aos consumidores. Foi o que aconteceu desde o golpe de 2016. Sob o governo Temer, houve cerca de 250 aumentos nos preços dos combustíveis – 16 vezes mais do que nos 13 anos de governos do PT”, observou a presidente.

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