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Homem morre e outro fica gravemente ferido após carro capotar, em Foz do Iguaçu

Carro parou fora da pista após capotar, segundo a polícia — Foto: Vinicius Machado/RPC Foz do Iguaçu

Carro parou fora da pista após capotar, segundo a polícia — Foto: Vinicius Machado/RPC Foz do Iguaçu

Um homem morreu e outro ficou gravemente ferido em um capotamento na tarde deste domingo (5), em Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná. O acidente foi registrado na BR-277, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Segundo a polícia, o veículo bateu contra o meio fio da alça de acesso do viaduto da rodovia com a Avenida Paraná e capotou várias vezes para fora da pista.

O Corpo de Bombeiros informou que encontrou os dois homens fora do carro. As vítimas foram socorridas, mas um dos passageiros não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

O outro homem, que ficou gravemente ferido, foi encaminhado para o Hospital Municipal.

A PRF disse que há a suspeita de que os dois ocupantes do carro estavam sem cinto de segurança no momento do acidente, o que teria arremessado ambos para fora do veículo.

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Ex-presidente da CBF José Maria Marín retorna ao Brasil, após 5 anos preso

Dirigente desembarcou neste domingo em Campinas

Por conta da idade avançada (87 anos) e dos riscos do novo coronavírus (covid-19), José Maria Marín retornou ao Brasil. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desembarcou neste domingo (5) no aeroporto de Viracopos (Campinas), vindo de um voo de Nova Iorque.

O dirigente estava detido há 5 anos nos EUA e cumpria prisão domiciliar por fraude bancária, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A prisão de Marin foi efetuada, em maio de 2015, em Zurique (Suíça). Ainda naquele ano, foi extraditado para os EUA, onde foi julgado e condenado à prisão e à devolução de milhões de dólares.

De acordo com as investigações norte-americanas, o ex-dirigente esportivo teria recebido cerca de U$ 6,5 milhões de propina de empresas de marketing esportivo dos EUA para assinar contratos de direitos comerciais de competições de futebol sul-americanas.

Banido pela Fifa, Marin teve agora a pena reduzida pela mesma juíza federal, Pamela Chen, que, ao decretar a sentença, o qualificou de “câncer” para o esporte. Banido pela Fifa, Marin, antes de ser presidente da CBF (2012 a 2014), foi governador, deputado e vereador pelo estado de São Paulo.(ABr)

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Hambúrguer sabor Amazonas

Algumas histórias precisam ser contadas, como essa sobre conexões Brasil – China na exploração ilegal de madeira em terras indígenas

por Aldem Bourscheit

David Runciman é escritor e professor de Política na Universidade de Cambridge (Reino Unido) e, ao jornal The Guardian, escreveu que um reflexo da tomada do planeta pelo coronavírus foi revelar “algo mais cru” sobre as lideranças políticas. Essa “hora da verdade” dividiu o mundo, por exemplo, entre estadistas que atuam em primeiro lugar pela sobrevivência das pessoas e aqueles que parecem tomados pelo espírito de Procusto, personagem da mitologia grega que simboliza a negação da Ciência e a relativização de vidas humanas.

Mas a constatação de Runciman também se ajusta como uma luva para representantes de nosso Setor Privado. Empresários como Flávio Rocha (Riachuelo), Luciano Hang (Havan) e Roberto Justus deram com a língua nos dentes e defenderam abertamente que trabalhadores arriscassem as vidas para manter seus negócios a todo vapor durante a pandemia de covid-19. Poucos foram tão explícitos quanto o paranaense Luiz Renato Durski Junior.

Atacando medidas restritivas impostas pela amplitude da doença, o empresário afirmou que “Não podemos [parar] por conta de 5 ou 7 mil pessoas que vão morrer. Isso é grave, mas as consequências que vamos ter economicamente no futuro vão ser muito maiores do que as pessoas que vão morrer agora com o coronavírus”. A pandemia levou o milionário a demitir, até agora, mais de 600 trabalhadores. Em 2019, ele teria faturado cerca de R$ 300 milhões.

Sócio do apresentador Luciano Huck e apoiador confesso de Jair Bolsonaro, Durski foi vereador em Prudentópolis (PR) e morou por 15 anos em Rondônia. No estado, atuou em garimpos como o de Bom Futuro. Da empreitada, lembra que testemunhou assassinatos e que carregava sacos de dinheiro para comprar ouro. Mas, foi comercializando madeiras da Amazônia que acumulou recursos para, mais tarde, erguer negócios como a franquia de restaurantes Madero.

Na Carta Capital, o jornalista Felipe Milanez publicou uma entrevista inédita com Durski Junior, feita em 2008, lembrando que o mesmo foi sócio da Marinebox Lumber Agency. A empresa comprava madeiras de regiões fartas em casos de violência contra pobres rurais, indígenas e servidores públicos, em Rondônia, Mato Grosso e Pará. No artigo, o empresário revela um então desgosto com seus negócios na Amazônia e assume “que queria sair do ramo de madeireiro, o qual herdou de seu bisavô, seu avô e seu pai”. A família é historicamente ligada à exploração de florestas nas regiões Sul e Norte do país.

Durski (direita) e seu sócio Huck em visita à fábrica do Madero em Ponta Grossa (PR). Foto:Rodrigo Fonseca / A Rede

ESCAVAÇÕES PÚBLICAS
 – Naquele mesmo 2008, quando Durski rumava da atividade madeireira para se tornar chefe de cozinha e proprietário de restaurantes, eu e um engenheiro florestal – cujo identidade não importa a este relato -, levantamos em bases majoritariamente públicas* informações que desenhavam um esquema envolvendo órgãos federais e estaduais, bem como empresas do Brasil e da China, na lavagem e comércio de madeira retirada de Terras Indígenas na Amazônia. Os crimes estavam conectados a negócios de Durski Junior e familiares.O trabalho foi encomendado pelo Greenpeace Brasil, que não o publicou por alegada falta de acordo com sua representação na China. As motivações da entidade para demandar a investigação envolveram, entre outras, mudanças em regras federais que repassaram a gestão de florestas aos estados. O faturamento do setor madeireiro de Rondônia, por exemplo, havia saltado 6.000% nos dois anos anteriores.

Conforme o levantamento, planos de manejo e autorizações para desmatamentos dos governos Mato-grossense e Federal eram usadas para esquentar madeira retirada das terras indígenas Kawahiva do Rio Pardo e Arara do Rio Branco. Ambas abrigam povos isolados, de pouco ou nenhum contato com a sociedade moderna. Imagens de satélite analisadas em 2007 pela Procuradoria da República no Mato Grosso (PR/MT) ajudaram a identificar a manobra.

Em seguida, inquéritos da Polícia Federal e da PR/MT conectaram a exploração ilegal de madeira e outros crimes incidindo sobre os territórios indígenas a uma série de madeireiras e empresários. Um deles era o chinês Carl Lu Weinguang. Em 2004, declarou ter comprado quase 100 mil hectares no Mato Grosso para extrair e exportar madeira à China. Outros eram ligados a Durski Junior, como Giselda Ditzel Durski e Maria Ossawski Durski, essa a mãe do empresário.

Durski Junior era sócio da Marinebox Lumber Agency, empresa dirigida por Giselda Ditzel que comercializava madeiras com as chinesas Shanghai Anxin Flooring e A&W Woods, produtoras de assoalhos de Lu Weinguang. Apenas pelo Porto de Paranaguá (PR), a Marinebox exportava à época cerca de 300 contêineres mensais de madeira oriunda da Amazônia, para inúmeros países.

Além disso, fornecedores diretos e indiretos do chinês acumulavam grande número de irregularidades ambientais, como vender, transportar, estocar e comercializar madeiras sem licença, receber produtos com documentação falsa e desmatar a floresta sem autorização. Oito empresas no Mato Grosso que comercializavam com Lu Weinguang somavam, de 1996 a 2008, mais de R$ 12 milhões em multas. Essas recebiam madeiras serradas e em tora de 124 empresas e Pessoas Físicas.

ROTA ÁSIA ORIENTAL – Há 12 anos, o engenheiro Carl Lu Weinguang era o maior importador de madeira bruta brasileira na China. Foi citado na Forbes como um dos empresários mais ricos do país. Ele tem relações comerciais com empresas no Brasil desde 1995. Um filho nascido aqui lhe permite abrir empresas nacionais.

Para azeitar seus negócios no Brasil e no Exterior, promoveu em 2005 uma “excursão” à China de 5 nativos da Terra Indígena Bakairi, de Paranatinga (MT). Em 14 cidades, apresentaram danças e ritos tradicionais (fotos abaixo). A viagem foi autorizada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e assessorada pelo então superintendente de Políticas Indígenas do Mato Grosso, Idevar José Sardinha.


Lu Weinguang e indígenas brasileiros em Pequim (China), em 2005.
Fotos: Chinanews e Assessoria de Comunicação do Governo do Mato Grosso
Ações como essa fizeram as empresas de Lu Weinguang se tornarem “mais atrativas” e receberem aportes como do Carlyle Group (Estados Unidos), mega companhia de investimentos ligada no Brasil a empresas como CVC, Tok&Stok e Madero.O chinês também amarrava negócios em articulações próprias ou do Governo da China com membros dos governos Federal e de estados brasileiros. A lista inclui o ex-presidente Lula, os ex-ministros Sérgio Amaral e Luiz Fernando Furlan, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, bem como os ex-governadores Germano Rigotto, do Rio Grande do Sul, e Blairo Maggi, do Mato Grosso.

Maggi havia visitado a China em maio de 2004 tentando engrossar negócios com o estado. Lu Weinguang encontrou o governador dois meses depois, em julho daquele ano. Na reunião, o chinês anunciou investimentos de US$ 30 milhões em uma fábrica de assoalhos em Cuiabá, capital do Mato Grosso. A planta impulsionaria exportações de madeiras para Estados Unidos, Europa e, claro, China. A reunião, no Palácio Paiaguás, foi acompanhada por Durski Junior (foto).

No Palácio Paiaguás, Blairo Maggi observa Durski Junior e a família Lu Weinguang.
Foto: Ednilson Aguiar / Assessoria de Comunicação do Governo do Mato Grosso
OLHO VIVOA movimentação e os negócios de Lu Weinguang e de empresários e fazendeiros brasileiros ligados à extração de madeiras de terras indígenas foram alvo de uma série de investigações policiais e da Procuradoria da República no Mato Grosso. Todavia e apesar das informações disponíveis em bases públicas, em setembro de 2017 o órgão informou a este que a vasculha havia sido arquivada por ausência de provas sobre os crimes descritos.

“Nesses autos apesar de constatada a materialidade e autoria, não se obteve êxito em comprovar nenhuma correlação com o empresário chinês Carl Lu Weiguang ou mesmo com a empresa Shaghai Anxin Flooring. (…) Saliente-se que, se uma investigação contemporânea aos fatos ocorridos teoricamente em 2005 e 2007 não obteve êxito, seria muito improvável que uma investigação atual, passados mais de 10 anos, alcançaria esse objetivo”, informou a PR/MT.

Enquanto isso, negócios de Lu Weinguang e da família Durski seguem ativos no país e na Amazônia. A base de multas do Ibama continua acumulando infrações ambientais por empresas ligadas a familiares do empresário paranaense. Em 2017, a Madero foi citada na Operação Carne Fraca, que investigou a adulteração de carne por grandes frigoríficos que vendem para os mercados interno e externo.

Conforme despacho do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Criminal Federal do Paraná, a empresa foi extorquida e pagava propina a fiscais envolvidos no esquema de corrupção, em dinheiro e produtos. O Madero, seus sócios e funcionários não foram alvo de mandados judiciais.  

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* À época, em fontes como Sistema de Comercialização e Transporte de Produtos Florestais e Cadastro de Consumidores de Produtos Florestais, ambos da Secretaria do Meio Ambiente do Mato Grosso, Ibama, Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Procuradoria da República no Mato Grosso.

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O subalterno

Bolsonaro tem autoridade desmoralizada e apoio considerável, mostra Datafolha

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta – Isac Nóbrega – 22.mar.20/PR

Em circunstâncias normais, um subordinado que recebesse críticas públicas como as feitas por Jair Bolsonaro ao ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, estaria a caminho da demissão. Até aqui, porém, é o presidente quem, aos resmungos, abdica de governar.

A explicação, ou grande parte dela, encontra-se no que o Datafolha mensurou entre 1º e 3 de abril: entre os brasileiros, 76% aprovam a atuação da pasta comandada por Mandetta, ante 55% na pesquisa realizada duas semanas antes.

Bolsonaro, que dedicou esse período à tentativa de sabotar as orientações do ministério e das autoridades sanitárias de todo o mundo, colhe 33% de avaliações positivas a seu desempenho na crise, basicamente o mesmo patamar anterior (35%), enquanto a reprovação a seus atos foi de 33% a 39%, no limite da margem de erro.

Ainda assim, a credibilidade que conquistou espelha a ampla compreensão de que as duras medidas de confinamento social —aplicadas por estados e municípios, atacadas pelo presidente— mostram-se, sim, imprescindíveis agora. Não por acaso, recebem elevada aprovação as atuações de governadores (58%) e prefeitos (50%).

A maioria (57%) também considera que o mandatário paulista, João Doria (PSDB), acertou ao recomendar que a população não siga os palpites de Bolsonaro.

Vive-se, assim, um momento insólito do presidencialismo nacional. O chefe de Estado, cuja autoridade está desmoralizada na emergência da pandemia, ainda preserva considerável capital político. Conta, tudo indica, com o respaldo convicto de um terço do eleitorado, fatia não muito diferente da que o rejeita abertamente.

Mais da metade dos brasileiros avalia que ele ainda tem condições de liderar o país (52%, na margem de erro) e rejeita a ideia de um pedido de renúncia (59%). A despeito do que podem dar a entender os panelaços diários nas grandes cidades, o pior de seu desgaste se concentra em estratos minoritários de maior renda e escolaridade.

Bolsonaro recolhe-se a um papel subalterno na crise, a espalhar fake news, atazanar autoridades e convocar jejuns —e essa é a melhor das hipóteses por ora. Conta com o senso de responsabilidade de terceiros para que se faça o necessário. Se não impedir esse trabalho, mantém-se como um problema a ser resolvido depois.

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OPINIÃO

* Carlos Eduardo de Santi

Um conto sobre futebol

Era uma vez um esporte chamado futebol. Criado pelos ingleses em meados do século XIX, o futebol era um esporte praticado por milhões e milhões de pessoas no mundo todo, e os brasileiros eram o povo mais apaixonado por ele. Sua seleção era a mais condecorada da história e seus atletas, os mais habilidosos e valiosos. As crianças desde cedo se divertiam jogando futebol, chutando meias de pano dentro de suas casas ou correndo atrás de uma bola de capotão em surrados campinhos de terra batida. O sonho de muitos garotos era se tornar jogador profissional, pois assim teriam acesso a um mundo milionário e glamoroso, participariam de grandes campeonatos internacionais e se tornariam celebridades mundiais – algo tão buscado pelas pessoas naquela época. O futebol era um esporte viril, então não era incomum que atletas saíssem machucados após as acirradas batalhas campais. Nas arquibancadas, brigas entre torcedores rivais ‘pelo amor incondicional’ a seus times era fato corriqueiro.

Então, num certo dia um certo vírus apareceu na China (um país onde o futebol nem era tão relevante assim) e varreu o futebol do mapa. As pessoas foram obrigadas a se submeter a um regime de isolamento social, para impedir a disseminação do vírus. Da noite para o dia quadras e campos ficaram vazios. Estádios deixaram de ecoar os gritos das torcidas e foram convertidos em hospitais de campanha. As grandes estrelas do futebol sumiram da televisão e aceitaram reduzir drasticamente seus salários milionários durante a epidemia. Campeonatos foram sumariamente cancelados e os torcedores, antes inimigos figadais, já não brigavam mais por seus times – aliás, passaram a dividir as redes sociais com mensagens de apoio mútuo em prol da sobrevivência dos seus clubes e do próprio esporte. E assim passaram-se meses. O vírus e o isolamento social fizeram com que o futebol fosse gradativamente perdendo relevância entre as pessoas. Programas esportivos na TV já não davam mais a audiência de outrora e o cotidiano dos clubes e de jogadores se tornou irrelevante para os antes apaixonados torcedores.

Eis que num certo dia, como num passe de mágica, o vírus foi controlado; os doentes se recuperaram da doença e surgiu uma vacina para eliminar de vez o risco de novas epidemias. Os governos, empresas e instituições no mundo todo tiveram que rever suas prioridades e investimentos. Para tirar as pessoas do caos social e econômico instalado pela situação de “terra arrasada”, o futebol foi retirado do patamar de superesporte mundial e os superatletas, como Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, do panteão dos deuses da bola. Da noite para o dia os salários dos jogadores de futebol foram drasticamente achatados, ficando mais próximos da realidade do trabalhador comum. Médicos, cientistas e professores passaram a ser vistos pelos jovens como referência de sucesso profissional – trono anteriormente ocupado por jogadores de futebol, personalidades da TV e da música. Brigas de casais deixaram de acontecer por causa do vício do futebol (de jogar ou assistir) e o esporte mais popular do planeta passou a ser ‘apenas’ um atrativo cultural, como uma peça de teatro ou um concerto musical.

Em meio a tudo isso, o despertador tocou. Era hora de acordar e retomar a rotina de trabalho, meio esquecida durante os meses turbulentos de epidemia global. Não me atrevi a ligar a televisão para ver se tudo aquilo era verdade – receava que não o fosse. Mas voltei ao trabalho mais tranquilo, com a certeza de que o confinamento forçado deve ter levado as pessoas a refletirem sobre os passos que a humanidade havia dado, para além do futebol. E que ainda havia um fio de esperança em um mundo melhor e mais justo para todos.

 

Carlos Eduardo de Santi é médico veterinário, tecnólogo em Gestão Pública e colaborador eventual deste blog

 

 

 

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Negada a prisão domiciliar para o primeiro político condenado pelo Supremo na Lava-Jato

Nelson Meurer foi condenado a mais de 13 anos de prisão

O ministro Luiz Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou pedido para colocar o ex-deputado Nelson Meurer (PP-PR) em prisão domiciliar humanitária em função da pandemia do coronavírus.

O ex-parlamentar foi o primeiro político condenado pelo Supremo na Lava-Jato e está preso desde outubro do ano passado. Ele foi sentenciado a 13 anos, nove meses e dez dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Para pedir a saída da prisão, a defesa de Meurer usou uma resolução do Conselho Nacional de Justiça, que orientou o Judiciário a adotar uma série de medidas de prevenção ao coronavírus no sistema prisional. Os advogados argumentaram que Meurer faz parte do grupo de risco por ter 78 anos de idade e doenças crônicas. Segundo a defesa, ele é portador de diabetes e problemas cardíacos, que podem ser agravados em caso de contaminação pelo coronavírus.

A Procuradoria-Geral da República se manifestou contra a prisão domiciliar do ex-deputado. Segundo a denúncia da Procuradoria, Meurer recebeu R$ 29,7 milhões em 99 repasses mensais de R$ 300 mil, operacionalizados pelo doleiro Alberto Youssef.

Fachin negou o pedido da defesa de Meurer na quinta-feira (02), mas a decisão foi divulgada somente neste sábado (04).

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João de Deus foi espancado na prisão

João de Deus deixa o presídio

Em algumas saídas do presídio para o hospital ou para audiências, o médium João de Deus, de 77 anos de idade, aparentava manchas no corpo e dificuldade para andar. Ele reclamava de dores intensas e as próprias roupas que usava, exalando um odor forte, denunciavam maus tratos. Condenado a quase 20 anos de prisão por assédio sexual contra quatro mulheres, ele estava preso desde dezembro de 2018, mas esta semana foi transferido para prisão domiciliar. Laudo médico anexado no processo de João de Deus comprovou que o médium foi vítima de agressão física, com lesão na face, localizada na pálpebra inferior direita, causada por instrumento contundente. A mesma constatação foi feita por um representante do Conselho da Comunidade de Execução Penal de Aparecida de Goiânia. Em conversa recente com este representante, João de Deus disse ter recebido ‘um soco’, mas na presença dos agentes penitenciários ele ficou receoso de ser espancado novamente e disse ter sido vítima de uma queda ao sair de sua cama. A agressão ocorreu no início do mês passado.

A história sobre eventual queda, no entanto, não se encaixa na rotina de João de Deus e nem nas características da cela. Desde o ano passado, o médium anda só com a ajuda de outro detento que divide o mesmo espaço com ele, um advogado, e com a ajuda de uma bengala. A distância da cama, onde ele diz que caiu, fica a dois metros e meio da parede onde supostamente se acidentou. Na sentença que autorizou João de Deus a cumprir pena em regime domiciliar, conforme antecipou VEJA, a juíza Rosângela Rodrigues Santos, da comarca de Abadiânia, faz menção a um laudo do Instituto de Criminalística de Goiás, comprovando que o médium foi agredido com “instrumento contundente”, mas não especifica o dia da agressão. A juíza alertou para as “más condições da cela”, com paredes mofadas, lixo hospitalar aberto e até agulha de seringa usada no chão, segundo ela um ambiente propício à disseminação do coronavírus. “O estabelecimento prisional é absolutamente carente em termos estruturais e humanos para oferecimento de cuidados básicos com a saúde e tratamento de qualquer um de seus custodiados, o que dirá daqueles que apresentam o quadro de debilidade física e de doenças graves”, diz ela.

Aparecida de Goiânia (GO) – Entrada do Complexo Prisional© Marcelo Camargo/Agência Brasil Aparecida de Goiânia (GO) – Entrada do Complexo Prisional

O que mais irritou a juíza foi o fato de autoridades goianas impedirem uma inspeção no local onde o médium estava preso, justamente para constatar o tratamento dispensado ao preso. A juíza critica as autoridades públicas, em especial o então coronel Wellington Urzêda, que comandou até o mês passado a Diretoria Geral de Administração Penitenciária de Goiás. “A conduta do Diretor do Núcleo de Custódia, capitaneado pelo Coronel Urzêda, ao apreender os telefones celulares do perito nomeado por este juízo e impedir que a lesão fosse fotografada, assim como fizeram com os médicos do Instituto de Criminalística reforça os indícios de que o custodiado João Teixeira de Faria foi vítima de agressão física, durante a madrugada, por pessoa diversa daquela que divide com ele a cela”, escreveu a juíza.

A magistrada Rosângela fez mais críticas: “É vergonhosa a postura de agentes do Estado que se omitem diante de um descalabro desta envergadura, quando tinham o dever de, no mínimo, determinar a investigação acerca dos fatos e de corrigir as condições sub-humanas a que estão sendo submetidos os custodiados naquela Unidade Prisional. Afinal, vivemos em um Estado Democrático de Direito em que não são admitidos os calabouços dos Estados absolutistas da idade média”. Para decidir pela prisão domiciliar de João de Deus, a juíza levou em consideração vários argumentos apresentados pelos advogados Anderson Van Gualberto de Mendonça e Marcos Maciel Lara, que encontraram o médium isolado em uma das celas e passaram a defendê-lo, inicialmente sem cobrar honorários. Eles sustentaram que se trata de pessoa idosa, acometida por doença grave, com histórico de progressiva piora no seu estado de saúde, sem que o presídio pudesse oferecer tratamento adequado.