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Adão Latorre: o degolador maragato 

Negro pobre e descendente de escravos, Adán de la Torre, como era conhecido no Uruguai, foi um dos dos personagens da Revolução Federalista de 1893

É impossível falar na Revolução Federalista de 1893 sem falar em degola. Também é impossível falar em degola sem se lembrar do nome de Adão Latorre (1835-1923). Por dois anos, de 1893 a 1895, maragatos (de lenços vermelhos) combateram os republicanos pica-paus (que usavam lenços brancos). Latorre, esse negro pobre, descendente de escravos, nasceu no Uruguai onde era conhecido por Adán (ou Adam) de la Torre.

Desde pequeno, lutou e trabalhou. Em 1851, aos 16 anos, alistou-se no exército uruguaio pelo Partido Blanco. Serviu nas tropas dos caudilhos orientais Timóteo Aparício e  Gumercindo e Aparício Saraiva (estes dois, irmãos), destacando-se em táticas de guerrilha e cargas de cavalaria ligeira. Paralelamente, participou dos levantes maragatos no Rio Grande do Sul. Circulava à vontade pelos territórios da fronteira, onde os hábitos e a geografia são os mesmos. 

O carrasco não agiu por conta própria, até porque não tinha autonomia para tanto, mas, impiedoso e sem sentimento de culpa, fez o que os chefes esperavam dele: tingiu de vermelho o lenço branco dos inimigos.

reprodução / Um tal de Adão Latorre - a degola na Revolução de 1893
Sepultura de Adão Latorre, em Olhos D’Água, Bagé reprodução. A sepultura foi atacada por vândalos usando uma marreta, provavelmente. 

As informações acima foram extraídas do livro recém-saído do forno Um Tal de Adão Latorre – A Degola na Revolução de 1893 (Edigal, 156 páginas), escrito pelo jornalista e pesquisador Nilson Mariano, que li neste final de semana.

 

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