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O cerco à Lava Jato

A ação de Lindôra foi o estopim que tornou pública a animosidade entre a PGR e a principal força tarefa da Lava Jato

A ação de Lindôra —braço direito de Augusto Aras, nomeada por ele chefe da Lava Jato e vista por alguns como associada ao bolsonarismo— foi o estopim que tornou pública a animosidade entre a PGR e a principal força-tarefa da Lava Jato.

A subprocuradora Lindôra Araújo, responsável pela Operação Lava Jato na PGR (Procuradoria-Geral da República)
A subprocuradora Lindôra Araújo, responsável pela Operação Lava Jato na PGR (Procuradoria-Geral da República) – Gil Ferreira/Agência CNJ

Em ofício enviado à corregedoria do MPF, 14 procuradores comunicaram o estranhamento com a busca indiscriminada de documentos, registrando, inclusive, que uma das pessoas que acompanhavam a subprocuradora em sua nebulosa missão teria afirmado que estavam fazendo um “inventário bem grande”.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, durante sessão solene de abertura dos trabalhos do judiciários no STF (Superior Tribunal Federal), em Brasília
O procurador-geral da República, Augusto Aras, durante sessão solene de abertura dos trabalhos do judiciários no STF (Superior Tribunal Federal), em Brasília – Pedro Ladeira – 3.fev.20/Folhapress

Outro fator de atrito entre procuradores da Lava Jato em Curitiba e a PGR é a proposta de criação de um órgão central para concentrar informações e decisões relativas ao combate à corrupção. A Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac) seria coordenada por alguém escolhido por Aras, que, lembremos, já era crítico da Lava Jato e foi escolhido por Bolsonaro fora da tradicional lista tríplice.

Se muitas vezes a campanha contra a Lava Jato centra fogo no ex-ministro Sergio Moro, outras tantas vezes ataca os procuradores da força-tarefa de Curitiba, especialmente Deltan Dallagnol, que será julgado a qualquer momento por ter abusado de poder ao conferir, em 2016, palestra com PowerPoint em que o nome “Lula” centralizava gráfico descritivo do esquema do “Petrolão”.

Abuso de poder, porém, é a própria corrupção e não o seu combate.

Abusivo é se eleger sob a insígnia da Lava Jato e permitir seu desmonte.

Catarina Rochamonte

Doutora em filosofia, autora do livro ‘Um olhar liberal conservador sobre os dias atuais’ e vice-presidente do Instituto Liberal do Nordeste (ILIN).

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