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A política da boçalidade

A linguagem desmedida é própria de politiqueiros, que submetem tudo a seus interesses

A pólvora de Jair Bolsonaro pode não ser suficiente para vencer uma guerra contra os Estados Unidos, mas tem bastado para conturbar o Brasil. Essa pólvora é a palavra irrefletida, imprudente e irresponsável, que tem ido desde o ridículo até ao crime de responsabilidade, passando sempre pelo deboche e pela boçalidade.

A linguagem desmedida e belicosa é própria de politiqueiros, que submetem tudo aos seus interesses imediatos e a seus projetos de poder. Não é, pois, exclusividade do presidente. Ciro Gomes, por exemplo, um dos maiores críticos da verborragia insana de Bolsonaro, é tão destemperado quanto ele.
No clima de intensa tensão, polarização e intolerância que se instalou no Brasil, tornou-se comum o ato irresponsável de acusar qualquer adversário político de “comunista” ou “fascista”, esvaziando o sentido dessas designações ideológicas, que passam a ser usadas como meros insultos.

Ciro já cometeu reiteradas vezes essa irresponsabilidade, e o fez de novo ao reagir à notícia de que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro estaria conversando com o apresentador Luciano Huck no sentido de viabilizar uma candidatura de centro à Presidência. Moro é um “cara de extrema direita”, que “se veste como os fascistas italianos da década de 30”; “Moro é fascista” e “um grande malandro”, afirmou Ciro.

Sergio Moro, obviamente, não é fascista, mas é da conveniência política do eterno presidenciável tentar desqualificar um potencial adversário na disputa de 2022. Moro tampouco é de “extrema direita”, mas é da conveniência política de Ciro tentar afastá-lo para esse espectro político.

Movido, pois, por conveniências políticas, mas também por iras incontroláveis de uma natureza atrabiliária, Ciro ataca qualquer um que lhe seja óbice; por isso mesmo acumula na Justiça dezenas de processos por injúria, calúnia e difamação, com algumas condenações, como no caso em que foi condenado por injúria racial contra o vereador Fernando Holiday.

Catarina Rochamonte

Doutora em filosofia, autora do livro ‘Um olhar liberal conservador sobre os dias atuais’ e presidente do Instituto Liberal do Nordeste (ILIN).

 

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