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 Leite de vaca!

Em Miami, praia cheia, começo da década de 80. Um grupo de brasileiros curtia o sol da Flórida. Naquela época havia muito menos patrícios morando ou turistando por lá. A garotinha loura, menos de dois anos de idade, rechonchuda, brincava na areia, a mãe sumida no meio de um grupo de parentes barulhentos. Turistas italianos se aproximam.
Comentários óbvios:

– Che bela ragazzina! Bellina. Sembra um angello, non é vero?

E rasgam elogios à bonequinha loura.

A criancinha olha para cima, contente da vida, e sorri para os estrangeiros, formando aquelas lindas covinha rosadas nas bochechas. Os elogios vão crescendo, seria necessário transferi-los, por uma questão de justiça, também à mãe. A mãe merece. Mas quem é a mãe?

– Chi è la mamma? – pergunta uma das turistas ao grupo de brazucas.
A dita cuja, aparentemente distraída com a conversa de sua turma, estava aguardando apenas o gancho para se manifestar, babando de satisfação pela cria. Desembaraça-se da roda de cunhadas e amigas e responde orgulhosa:

– Ela mama leite de vaca!William Santiago é escritor, e, atualmente, exerce a função de vice- cônsul do Brasil em Ciudad del Este.

 

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