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Recondução de Aras e conluio pela impunidade

Não basta anular os processos de políticos corruptos tornando-os elegíveis

A rede de proteção que Bolsonaro armou em torno de si é formada por deputados cooptados com cargos e verbas (inclusive aquelas do “orçamento secreto”) e pelo condescendente titular da Procuradoria-Geral da República.

O PGR teve sua recondução aprovada no Senado por ampla maioria, em votação secreta, com contestações do senador Fabiano Contarato, para quem o PGR “deixou correr solta a delinquência bolsonarista” e do senador Alessandro Vieira que, em voto contrário em separado, apresentou relatório circunstanciado e rigoroso no qual expôs a complacência de Aras com os crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República.

A recondução de Aras faz parte do conluio pela impunidade, que se estendeu à Câmara, onde foi incorporado ao novo Código Eleitoral um dispositivo que impõe quarentena de cinco anos a magistrados, procuradores e militares que quiserem se candidatar.

Não há dúvida de que o enxerto casuístico incorporado a mando de Arthur Lira visa impossibilitar candidaturas de nomes que se notabilizaram na luta contra a corrupção e que o objetivo principal é impedir que Sérgio Moro seja candidato a presidente.

Não basta anular os processos de políticos corruptos tornando-os elegíveis, é preciso também retaliar os procuradores e juízes que combateram a corrupção, expurgando-os da vida pública.

Catarina Rochamonte

Doutora em filosofia, pós-doutoranda em direito internacional e autora do livro ‘Um Olhar Liberal Conservador sobre os Dias Atuais’

Catarina Rochamonte

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