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Bolsonaro viu o cabo da faca

No tom do dia 7, iria para casa

Michel Temer morre e não conta o que faz, mas entre a noite de quarta-feira (8), quando falou por telefone com Bolsonaro, e a tarde de quinta (9), quando teve seu almoço com o presidente, apagou um incêndio.

Os fatos estão diante de todos.

Na terça-feira (7), Bolsonaro chamou o ministro Alexandre de Moraes de “canalha” e avisou que não cumpriria decisão que viesse dele.

Na quarta, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux, mostrou o cabo da faca:

“Se o desprezo às decisões judiciais ocorre por iniciativa do chefe de qualquer dos Poderes, essa atitude, além de representar um atentado à democracia, configura crime de responsabilidade, a ser analisado pelo Congresso Nacional.”

No mesmo dia, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), fez um discurso anódino que, espremido, emitia um estranho brilho. Era a luz da lâmina: “O tal quadrado [da Constituição], deve circunscrever seu raio de atuação. […] Não posso admitir questionamentos sobre decisões tomadas e superadas —como a do voto impresso”

Temer entrou numa confusão ao seu gosto. Baixou a bola, conseguiu a nota do recuo e até o bônus de telefonemas para Alexandre de Moraes e Luiz Fux. Repetiram-se cenas de 2015. Em abril daquele ano, quando 63% dos entrevistados pelo Datafolha achavam que deveria ser aberto o processo de impedimento de Dilma Rousseff, ela deu a Michel Temer, seu vice, a coordenação de seu jogo político. O comissariado petista começou a fritá-lo em menos de um mês. Em agosto, ele sinalizou seu afastamento do Planalto, em dezembro estava pintado para a guerra e, meses depois, a doutora caiu.

Mais tarde ele explicaria: Eu entrei para ajudar e fiz todos os acordos usando o meu cartão de crédito político. Eles não os honraram.

Só Bolsonaro sabe que acordos botou no cartão de Temer.

Uma coisa é certa, o ex-presidente acha que a situação não deve se repetir. A ver, mas ele nunca reclama antes.

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