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Senadores dos EUA pedem que Biden advirta Bolsonaro para ‘sérias consequências’ se houver ruptura democrática no Brasil

Quatro senadores democratas americanos alertaram o presidente Joe Biden, nesta terça-feira, para a  “deterioração da democracia brasileira” sob Jair Bolsonaro, pedindo que ele advirta o colega do Brasil para “sérias consequências” caso haja uma ruptura democrática no país antes das eleições de 2022.

“Pedimos que deixe claro que os Estados Unidos apoiam as instituições democráticas do Brasil e que qualquer ruptura antidemocrática com a ordem constitucional atual terá sérias consequências”, disseram os senadores em carta ao secretário de Estado, Antony Blinken.

Os senadores expressaram temores a respeito das alegações “cada vez mais perigosas”. de Bolsonaro sobre as eleições de 2022, nas quais ele planeja se candidatar à reeleição. A carta é assinada por Dick Durbin, número dois na liderança do Partido Democrata no Senado, Bob Menendez, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Casa, Ben Cardin, da mesma comissão, e Sherod Brown, da Comissão de Agricultura e Florestas.

Bolsonaro, que era um dos principais aliados internacionais do ex-presidente Donald Trump, já disse que o Brasil poderia ver cenas semelhantes às de 6 de janeiro em Washington, quando apoiadores do republicano invadiram o Capitólio, na tentativa de evitar a certificação da vitória de Biden nas eleições presidenciais de 2020.

O presidente brasileiro também já afirmou inúmeras vezes, sem provas, que o sistema de votação é suscetível a fraudes e declarou que se recusará a admitir a derrota se perder, afirmando que “só Deus pode me tirar da Presidência”.

“Esse tipo de linguagem imprudente é perigosa para qualquer democracia, mas é especialmente imerecida em uma democracia do calibre do Brasil, que por décadas se mostrou capaz de facilitar transferências pacíficas de poder”, escreveram os senadores.

Eles também mencionaram os “ataques pessoais” de Bolsonaro a membros do Supremo Tribunal Eleitoral (STE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), destacando que eles ameaçam minar o Estado de direito.

“Nossa associação com o Brasil deve ser um baluarte contra atores antidemocráticos, de China e Rússia a Cuba e Venezuela”, disseram os senadores a Blinken, instando-o a tornar o apoio à democracia brasileira “uma prioridade diplomática”, incluindo “em discussões bilaterais relacionadas à participação do Brasil em organizações” como a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico).

(O Globo)

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