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As razões do fracasso do leilão de petróleo

Míriam Leitão – O Globo

O governo Bolsonaro tenta esconder, mesmo depois de ter vendido apenas cinco de 92 blocos de petróleo, que foi um retumbante fracasso. Esse governo acha que se disser que a lua é quadrada, ela passará a ser quadrada. Isso que aconteceu de manhã é um fiasco, mas era bem previsível.

As empresas de petróleo hoje estão envolvidas em limpar sua cadeia produtiva, em se descarbonizar. Por isso estão investindo em novas energias e querendo ser conhecidas como empresas de energia, e não de petróleo. Estão calculando suas emissões e neutralizando, ou com mudanças de práticas, ou com compensações ambientais. É uma cadeia de difícil descarbonização, mas esse assunto está no foco das atenções dessas empresas. Portanto, elas não correriam o risco de comprar áreas perto de santuários ecológicos sem que esse assunto estivesse bem estudado.

O ICMBio alertou no ano passado que era “temerário” explorar petróleo em áreas tão próximas do Atol das Rocas e de Fernando de Noronha. Foi ignorado. Esse ano o Ministério do Meio Ambiente assinou com o Ministério das Minas e Energia um documento dizendo que estava tudo bem. E a ANP disse que o estudo de impacto ambiental seria feito depois. Uma coisa assim tão malfeita iria afastar os bons investidores. O maior risco era que uma empresa sem preocupação com a reputação acabasse dando lance.

Outra questão que fica clara nesse assunto é como no governo Bolsonaro os órgãos traem as suas missões. E isso significa que eles estão atuando ilegalmente. O Ministério do Meio Ambiente não pode ser anti-ambiental como tem sido desde o começo desse governo. A lista dos que fazem o oposto do que deveriam fazer, portanto estão agindo contra o sentido das leis que os criaram, é muito grande. A cada dia há um exemplo de órgão que faz o oposto do que deveria.

 

 

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